Sunday, December 26, 2010

O SALTO DA ECONOMIA BRASILEIRA

Ronaldos e Giseles à parte, a maioria dos mortais segue um roteiro de vida semelhante. Primeiro experimentamos as delícias da infância e da adolescência. Depois, chega a hora de começar a trabalhar, um momento marcado por muito esforço e pouco dinheiro. Com o tempo, as oportunidades vão surgindo e o desafio é conseguir garantir um descanso tranquilo no período final. E assim passamos de geração em geração. Também os países seguem uma trajetória semelhante, com graus diferentes de sucesso. Numa fase inicial, nações jovens têm uma fatia grande da população abaixo da idade de trabalho. Com o tempo, as crianças crescem e começam a trabalhar. É um período ideal para aproveitar o impulso e crescer. Depois vem a fase do envelhecimento, em que o ímpeto econômico se esvaece. Se tudo der certo nesse caminho, haverá, então, riqueza suficiente para financiar o sossego dos idosos.
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O Brasil já foi uma nação jovem. E seremos, no futuro, um país velho. A boa notícia é que estamos — agora — no auge do período produtivo. Encontra-se em curso um fenômeno demográfico e social novo para o país: o amadurecimento em massa da população. O crescimento populacional vertiginoso ficou para trás. Após crescer geometricamente por dois séculos, o número de brasileiros aumenta cada vez menos e não deve ultrapassar a marca de 220 milhões. Ao mesmo tempo, com expectativa de vida de 73 anos, o país tem hoje dois terços da população entre 15 e 64 anos — a faixa etária considerada economicamente mais produtiva. A proporção dos que estão em idade de produzir vai continuar a crescer até 2022, quando atingirá um pico de 71%. A previsão é que nessa data o número de brasileiros em idade ativa passe dos atuais 130 milhões para 147 milhões. As chances de negócios abertas por essa transformação silenciosa são enormes. “Se em dez anos não abrirmos 100 milhões de novas contas, é porque algo deu errado”, diz Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco. Segundo estimativa da Federação Brasileira de Bancos, o número de agências bancárias no país deve crescer 50% na próxima década, o que significa a criação de cerca de 150 000 postos de trabalho. O crescimento no setor bancário é apenas um exemplo do salto esperado em inúmeros mercados na próxima década.
“Essa é uma chance única na história de qualquer país”, disse a EXAME Ronald Lee, diretor do departamento de demografia e economia da Universidade de Berkeley e membro da Comissão Americana para Estudos do Envelhecimento. A chance a que Lee se refere é batizada pelos especialistas de bônus demográfico — a fase com o máximo possível de gente trabalhando. Uma projeção realizada pelos professores Cássio Turra e Bernardo Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que o Brasil tem um potencial de crescimento de 2,5% ao ano gerado exclusivamente pelo bônus demográfico. Outra conta, feita por Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, sugere um aumento de até 2,7% ao ano na renda média dos brasileiros em função do bônus e do aumento da escolaridade, iniciado nos anos 90. No cenário elaborado por Turra e Queiroz, o Brasil, se crescer apenas à média anual de 2,5% propiciada pelo bônus demográfi co, chegará a 2030 com um produto interno bruto de 3,3 trilhões de dólares, 50% maior que o atual. Mas o país tem crescido mais que isso — e os economistas avaliam que será possível manter um ritmo de 4,5%. Isso elevaria, no mesmo prazo, o PIB para 4,8 trilhões de dólares, o sufi ciente para alcançar um padrão de renda equivalente ao que Portugal tem atualmente. Numa hipótese mais otimista, de o bônus ser aproveitado para impulsionar reformas mais profundas, em duas décadas o Brasil atingiria o nível de renda per capita atual da Espanha e teria um PIB de 7 trilhões de dólares. “Os brasileiros estão diante de uma oportunidade de ouro, mas ela é temporária. Após duas décadas, o envelhecimento da população inverterá a curva e fará a proporção de inativos subir. Por isso, para tirar o máximo proveito até lá, o Brasil deve investir fortemente nas novas gerações, em especial provendo boa educação básica”, diz Lee. O recado é claro: temos mais 20 anos para fazer a lição de casa, modernizando a economia e melhorando a qualidade da educação, e, assim, nos tornar uma nação rica. Caso contrário, estaremos no pior dos mundos. Corremos o risco de envelhecer sem ter conseguido integrar o clube dos desenvolvidos — e aí será muito mais difícil chegar lá.
O bônus tem como origem uma guinada no comportamento das famílias brasileiras. Desde meados dos anos 60, tem havido uma queda progressiva no tamanho das famílias. A média de filhos por mulher, que era de seis há meio século, caiu até chegar a menos de dois hoje. A presidente eleita Dilma Rousseff — de quem se espera um conjunto de políticas para aproveitar ao máximo o bônus demográfico — é um exemplo da nova mulher brasileira. Teve apenas uma filha, a qual, por sua vez, recentemente lhe deu o primeiro neto. A idade média da população, antes inferior a 20 anos, atualmente está próxima de 29 — e vai continuar a crescer. A pirâmide demográfica mudou de forma e agora é uma figura cada vez mais arredondada. No ponto atual, a maioria dos que eram jovens nas décadas anteriores ainda não chegou à terceira idade e constitui uma inédita geração de brasileiros mais maduros e que estão no auge de sua carreira profissional. O resultado é que a proporção entre pessoas que não trabalham e as que são ocupadas caiu de mais de sete inativos (seja criança, seja idoso) para cada grupo de dez trabalhadores, há 20 anos, para menos de cinco para dez. No auge do bônus, em 2022, essa proporção será de quatro para dez. Quando há menos gente que precisa ser sustentada, a abundância de população em idade ativa dinamiza a economia e gera recursos adicionais que podem ser revertidos em poupança e investimento. Isso reforça o crescimento econômico e gera oportunidades em inúmeros mercados.
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A mudança do perfil demográfico da população brasileira deve fazer com que alguns setores da economia experimentem um ritmo de crescimento acelerado na próxima década, o que pode colocar o Brasil entre os líderes globais em vários segmentos. Os cosméticos são um bom exemplo. Hoje, o Brasil é o terceiro maior mercado de produtos de perfumaria e beleza do mundo, atrás de Estados Unidos e Japão. Caso a estimativa de crescimento do setor se confirme — 9,6% ao ano, de acordo com uma estimativa feita pela consultoria Euromonitor a pedido de EXAME —, o mercado brasileiro de cosméticos deverá chegar a 108 bilhões de dólares em 2020, quase o dobro do observado atualmente nos Estados Unidos. “Nossos consumidores, em sua maioria, são maduros”, diz José Vicente Marino, vice-presidente de negócios da Natura, a maior empresa de cosméticos do país. “Boa parte de nosso crescimento nos últimos anos já pode ser atribuída ao bônus.” O envelhecimento da população também deve impulsionar o segmento de serviços médicos, que inclui gastos com consultas, exames e hospitais. Hoje, os brasileiros gastam pouco mais de 56 bilhões de dólares, montante que deve alcançar 112 bilhões em 2020, mais do que o gasto atual da Alemanha, em torno de 90 bilhões de dólares. O gasto com educação, segundo as projeções da Euromonitor, também deve dobrar na próxima década, de 91 bilhões de dólares para 182 bilhões.
Para as empresas, um dado central é o perfil do brasileiro médio daqui a uma década, quando o bônus demográfico estiver empurrando o país com força máxima. Muito provavelmente, será próximo ao de Ana Rita Mazza Menani. Aos 33 anos de idade, casada, com dois filhos, formada em comunicação social, ela e o marido, Rogério, têm uma pequena gráfica em Monte Alto, no interior paulista. Juntos eles dispõem de uma renda em torno de 8 000 reais por mês. Moram numa casa confortável e, na garagem, têm dois carros e duas motos. Dentro de casa, não faltam eletrodomésticos, móveis e computador. Os filhos, de 7 e 13 anos, estudam em escola particular, fazem aulas de inglês, artes, música e esportes. “Investimos cerca de 25% da renda familiar na educação deles”, diz Ana Rita. “Se tivéssemos mais filhos, seria difícil manter o padrão. As pessoas da minha geração não têm condições de ter mais que um ou dois filhos.” Embora muito tenha se falado sobre o crescimento na base da pirâmide, o exemplo de Ana Rita ilustra que a ascensão econômica em curso no país legará uma estrutura social com preponderância das classes média e alta. Nessa nova sociedade, algumas tendências comportamentais começam a ser detectadas. A importância crescente dada à educação dos filhos é uma delas. O desenvolvimento esperado para as próximas décadas está atrelado a fortes investimentos em educação e formação de mão de obra qualificada — uma das consequências diretas do bônus. “Saímos da baixíssima escolaridade para um nível menos ruim, e isso já está jogando a favor do desenvolvimento há um tempo”, afirma Neri, da FGV. “Nosso retrato provavelmente seria bem pior se não fosse isso. O que precisamos fazer é avançar com mais ambição no setor de educação, para não desperdiçar o bônus.”
Essa necessidade faz com que as escolas constituam um mercado que evidentemente está entre os que mais proliferam atualmente no Brasil. De acordo com a Euromonitor, esse setor deve crescer quase 10% ao ano no Brasil até 2020, quando alcançará 400 bilhões de reais. A expansão tem atraído investidores estrangeiros principalmente para atuar no ensino superior. O grupo americano DeVry chegou ao país há três anos. Instalou-se na Região Nordeste e já conta com 14 000 alunos em suas quatro unidades. “Enxergamos uma grande oportunidade no mercado brasileiro de educação”, diz Carlos Filgueiras, presidente do braço local do DeVry. “O potencial de crescimento é muito grande. Hoje, apenas 30% dos jovens brasileiros entre 18 e 22 anos estão na faculdade. Na Grécia, o índice é de mais de 90%.” De acordo com ele, o efeito do bônus já é perceptível, mas poderá ser mais intenso porque as classes C e D estão começando a ter acesso às universidades. “Isso deve impulsionar o setor nos próximos anos”, diz.
Curiosamente, muitas empresas ainda não atentaram para o potencial de mercado aberto pela mudança na demografia brasileira. Recentemente, ao promover por seis meses um estudo com seus 100 executivos de nível mais alto para identificar tendências e planejar os próximos dez anos, o grupo de engenharia Promon descobriu o bônus. “O tema da demografia causou frisson nas nossas reuniões”, diz Luiz Fernando Rudge, presidente da Promon. “As pessoas não percebem seu efeito no dia a dia, mas vimos que, ao longo das décadas, o impacto é dramático.” A Promon identifica áreas de negócios que serão particularmente atraentes num cenário de amadurecimento da população, como as de saúde e bem-estar. “Podemos investir na construção e na operação de hospitais e condomínios para pessoas mais idosas”, afirma Rudge. Além disso, com a perspectiva de um crescimento econômico mais consistente, diversos setores de infraestrutura em que a Promon atua, de energia a telecomunicações e tecnologia da informação, também deverão ser positivamente afetados.
De acordo com um estudo da consultoria Ernst & Young, a mudança do perfil demográfico da população brasileira deve dar ainda mais fôlego ao setor de construção civil. Estima-se que, todos os anos, cerca de 1,7 milhão de novas famílias sejam formadas no país. Até 2030, serão pelo menos 35 milhões de novas famílias, principalmente da emergente classe C, que precisarão de um lugar para morar. Trata-se de outra tendência que começa a ser detectada: o surgimento de famílias pequenas e em franca ascensão social. As construtoras já perceberam o fenômeno e vêm adequando seus produtos aos novos consumidores. “As famílias estão ficando cada vez menores. Consequentemente, os apartamentos também devem ficar mais compactos”, diz Antonio Carlos Ferreira, diretor de incorporações da Gafi sa, uma das maiores construtoras do país. Em 2007, as famílias tinham, em média, 3,1 pessoas. Em 2030, prevê-se que haverá apenas 2,4 pessoas por residência. O operador logístico mineiro Lando Tavares, de 34 anos, comprou seu primeiro apartamento há aproximadamente um mês. Casado há quatro anos e pai de uma menina de 2 anos, ele aproveitou um aumento salarial e a oferta abundante de crédito para financiar em 25 anos um imóvel avaliado em 100 000 reais. Os Tavares representam a nova família brasileira — pequena e mais preocupada com a qualidade de vida.
população mais velha traz também mudanças em termos de objetos de desejo. Um segmento crescente é o formado por homens e mulheres maduros e com dinheiro para gastar. O envelhecimento costuma tornar os consumidores mais exigentes. Para as montadoras de automóveis, isso deve produzir uma alteração na demanda. A participação de veículos maiores e mais equipados deverá crescer consideravelmente nos próximos anos, com alta nas vendas de sedãs médios e modelos de luxo. “Eles devem tomar parte do mercado dos populares”, afirma Stephan Keese, sócio da consultoria especializada Roland Berger. “As pessoas mais velhas geralmente têm mais dinheiro e compram produtos melhores.” Atualmente, os veículos compactos respondem por 69% do mercado brasileiro, ante 15% dos sedãs médios. Em 2020, a participação dos populares deve cair para 63%, enquanto a dos médios subirá para 20%. O mercado de carros de luxo também deve dobrar, para mais de 50 000 unidades por ano. “Nos Estados Unidos e na Europa, os carros básicos são mais completos porque são desenvolvidos para uma população mais velha e exigente”, diz Keese. Essa é justamente a aposta que a marca japonesa Nissan fez recentemente para se expandir no Brasil. Instalada no país no final dos anos 90, a Nissan lançou em 2007 o modelo Sentra, aquele que “não tem cara de tiozão”. O sedã, que custa a partir de 55 000 reais, obviamente não tem como público-alvo os jovens. A intenção foi chamar a atenção dos homens maduros, os potenciais consumidores. “Quando chegamos ao Brasil, já sabíamos da tendência de envelhecimento da população. Tínhamos certeza de que o segmento cresceria”, afirma Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan. “O tíquete médio vem subindo. Os carros de luxo estarão cada vez mais presentes nas ruas.”
A legião de consumidores maduros deve impulsionar o crescimento de mercados antes pouco expressivos. Uma preocupação é envelhecer bem e de forma saudável. Essa nova realidade faz com que a indústria de lácteos, por exemplo, precise de um novo plano de negócios para os próximos anos. Com um mercado infantil cada vez menor, não faz mais sentido investir milhões de reais em produtos com poucas possibilidades de crescimento. O foco agora são os leites funcionais, ricos em cálcio e outras vitaminas e consumidos por adultos. “Esses produtos devem crescer 300% nos próximos cinco anos”, afi rma Fernando Falco, presidente da Leitbom, controladora da marca Parmalat no Brasil. Segundo ele, nos próximos dois anos a Parmalat deve lançar pelo menos sete novos lácteos funcionais e só dois produtos voltados para o público infantil. O crescimento do número de adultos em busca de uma vida mais saudável beneficia uma gama de empresas que vai muito além das fabricantes de alimentos. O Brasil já é o segundo mercado do mundo para as academias de ginástica, só atrás dos Estados Unidos.
Todos os países hoje considerados desenvolvidos se benefi ciaram de mudanças no perfil populacional para atingir estágios mais elevados de renda e qualidade de vida. Na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, a transição demográfica foi mais lenta, tendo se iniciado com a revolução industrial. Lá, as vantagens começaram no século 19, com um aumento da população gerado pelas conquistas científicas e pelo desenvolvimento da infraestrutura urbana de saneamento. Foi uma evolução que se estendeu ao início do século 20, com a redução da mortalidade infantil e a expansão do acesso a serviços médicos e educação. O impulso inicial, de ampliação das populações, depois foi contido com a queda da natalidade. Na Ásia, excetuando o Japão, os avanços na qualidade de vida da população chegaram após a Segunda Grande Guerra. Mas, com as tecnologias e os conhecimentos já disponíveis, a adoção de melhorias foi intensa, o que gerou uma transição rápida. Em países como Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e Taiwan, a mudança demográfica iniciada nos anos 60 gerou uma ampliação da força produtiva que serviu de base para a decolagem das economias. Os governos desses países souberam perceber que uma população com mais expectativa de vida também precisaria ser mais educada e que o ambiente de negócios precisaria ser nutrido. A transformação que se viu em três décadas fez os quatro países merecerem o apelido de Tigres Asiáticos. Um estudo realizado pelos pesquisadores David Bloom e Jeffrey Williamson, da Universidade Harvard, concluiu que o bônus demográfico gerou um terço do crescimento dos quatro tigres entre 1965 e 1990. “A mudança no perfil da população foi determinante para o milagre econômico asiático”, afirma Bloom. “Até então, esses países cresciam lentamente devido ao peso excessivo de uma população muito jovem.” O estudo mostra que, durante a transição, a massa local de trabalhadores cresceu a um ritmo de 2,4% ao ano, enquanto o crescimento total da população era de 1,6%

A Coreia do Sul lançou as bases de seu sucesso antes mesmo de chegar ao bônus. Devastado pela guerra dos anos 50, o país passou a investir em educação e fez uma série de reformas para que sua economia deslanchasse. Mais tarde, em meados dos anos 80, quando chegou ao período de transição demográfica, já estava devidamente preparado. Em três décadas, os sul-coreanos multiplicaram por 8 sua renda per capita, para perto de 20 000 dólares, o dobro da brasileira, e entraram para o clube dos países ricos. Atualmente, quem melhor está aproveitando a transição demográfica é a China. Graças às políticas draconianas de controle de natalidade introduzidas pelo governo na década de 70, o país tem colhido os frutos de uma estrutura etária que, por ora, é favorável — há, desde os anos 90, cada vez menos crianças e cada vez mais adultos aptos a produzir. Todos os anos, milhões de chineses entram para o mercado de trabalho e engrossam o já enorme contingente de mão de obra local. Dar emprego a tanta gente é um desafio, mas o país tem conseguido dar conta. Com custo baixo para produzir quase tudo, a enorme população chinesa é o motor que move a segunda maior economia do mundo. Estima-se que o bônus tenha sido responsável por até 30% do crescimento do PIB da China na última década. Além disso, o fenômeno ajudou a tirar da pobreza cerca de 400 milhões de pessoas nos últimos 30 anos. Assim como o Brasil, a China ainda tem cerca de 20 anos de bônus demográfico pela frente. Mas há uma nítida diferença em como a oportunidade é encarada lá e aqui. “No Brasil, ainda não caiu a ficha de que estamos diante de uma janela temporária”, diz Rogério Rizzi de Oliveira, sócio da empresa de consultoria Monitor Group. “Os chineses correm para manter o crescimento acima de 10% porque sabem que isso só poderá ser feito num prazo curto. Nós, aqui, também precisamos apertar o passo.”
Os desafios para que o Brasil aproveite ao máximo sua janela de oportunidades, porém, ainda são muitos. Não temos uma economia com a modernidade e a eficiência necessárias para gerar crescimento econômico de alta qualidade. “O próximo governo precisará trabalhar muito para que possamos dar um salto. Do contrário, corremos o risco de desperdiçar parte do bônus”, afi rma Rubens Ricúpero, ex-ministro da Fazenda e diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo. Temos as próximas duas décadas para alcançar um padrão de país rico — depois, a janela de oportunidades irá gradualmente se fechar. Se a transição não for devidamente aproveitada, a sociedade brasileira estará de frente para um novo e dramático quadro por volta de 2040: o de uma nação de idosos que não melhoraram sufi cientemente seu padrão de vida e, pior, sem recursos para sustentar a velhice. O alerta sobre esse cenário sombrio é dado hoje pelos países europeus, onde os sistemas de seguridade e manutenção do bem-estar social estão em crise. Isso está ocorrendo mesmo em lugares que alcançaram altos níveis de renda per capita, como França, Reino Unido e Itália, e, de forma pior, nos que não enriqueceram tanto, como Grécia, Portugal e Polônia. Uma questão difícil de ser enfrentada é a da saúde. “O custo para tratar um idoso é muito maior que o de um jovem”, afirma o economista Paulo Tafner, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. “Até 2040, o gasto brasileiro com saúde vai se multiplicar por 3.” Caso o país não se prepare adequadamente, o já deficiente sistema público de saúde entrará em colapso. O mesmo impacto se dá nas contas da deficitária Previdência Social. “É preciso reconhecer que o país não está preparado para ter 30 milhões ou 40 milhões de idosos, como deve acontecer nas próximas décadas”, diz Carlos Eduardo Gabas, ministro da Previdência. Para Ronald Lee, de Berkeley, o Brasil terá de reavaliar seu sistema de aposentadoria, que ele considera provavelmente o mais generoso do mundo em relação ao nível de renda per capita. “Não há dúvida de que há muitos idosos pobres que precisam das pensões, mas eu suspeito que haja muita gente recebendo mais do que precisa”, afi rma Lee. “O modelo atual não será sustentável no futuro.” O custo da Previdência em relação ao PIB já é duas vezes maior que nos Estados Unidos, e a idade média do brasileiro ainda é inferior à dos americanos. São questões que deveriam estar na ordem do dia. Não estão. Fazendo um paralelo com o que o pensador florentino Nicolau Maquiavel dizia do Príncipe, é preciso ter virtù e fortuna — competência e sorte — para triunfar. Tudo indica que a sorte agora está do lado do Brasil. Falta mostrar virtù para aproveitar ao máximo a janela de oportunidades. São 20 anos — e o relógio está correndo.

ECONOMIA BRASILERA EN EXPANSION

Poucos períodos na história foram tão férteis para o fortalecimento da economia nacional como os últimos 15 anos. Para citar apenas algumas transformações mais visíveis, o Brasil deixou de ser o país que trocava de moeda a cada cinco anos. Viu as taxas de juro caírem para níveis quase aceitáveis, acumulou reservas e ganhou selo de grau de investimento. Reduziu a pobreza, criou uma nova classe média e ampliou a oferta de crédito. Mesmo com percalços no caminho, essas mudanças colaboraram para o surgimento de um mercado doméstico robusto e crescente, ávido por comprar geladeiras, casas, sabonetes, roupas, biscoitos, telefones, automóveis, pacotes de viagens — em uma palavra, consumir. Junto com isso, o Brasil expandiu o fluxo de comércio exterior de 89 bilhões de dólares em 1994 para 347 bilhões atualmente.
A soma de fatores positivos e, mais que isso, a perspectiva de que o crescimento continue estão agora criando as condições para que o país, nos próximos anos, venha a assistir o que pode se tornar uma espécie de “espetáculo do investimento”, parafraseando a expressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O otimismo é sustentado por pesquisas e estudos. Projeções feitas pelo banco Itaú BBA, por exemplo, mostram que o nível de investimento produtivo — destinado à modernização e ampliação de fábricas, minas e fazendas, desenvolvimento de produtos, construção de imóveis e obras de infraestrutura — deve triplicar ao longo da próxima década. A previsão é sair do atual patamar anual de 600 bilhões de reais para 1,8 trilhão em 2020, em valores de 2010.
O fenômeno é diferente do que ocorreu nos anos 70 e 80, quando o investimento produtivo ultrapassou 20% do produto interno bruto, com participação quase exclusiva do governo em grandes obras de infraestrutura. Desta vez, a taxa também deve passar de 20%, mas a maior parte do capital será investida em projetos tocados por companhias privadas e estatais de capital misto, como a Petrobras. “O investimento exclusivamente do Estado será marginal”, diz Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco. As projeções otimistas se baseiam numa combinação promissora de elementos. O já pujante mercado imobiliário, as atividades de exploração de petróleo no pré-sal e todas as encomendas de bens e serviços que irão demandar se somam aos negócios gerados pela realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016. Além disso, a competitividade das commodities brasileiras e a expansão do mercado interno também deverão puxar a nova onda de investimentos. Se tudo ocorrer como indicam os estudos, a taxa de investimento anual deve passar da média de 16,5% do PIB na década atual para 22% do PIB nos próximos dez anos. É um índice considerado suficiente para sustentar o crescimento da economia em 5% ao ano. EXAME 26 DEZ 2010
“O Brasil passa por um momento histórico, com muitas oportunidades. E vamos aproveitá-las”, diz Eike Batista, o homem mais rico do Brasil e dono do grupo EBX, com participações em empresas de petróleo, mineração, energia, estaleiros e siderurgia. Eike já anunciou investimentos de 13 bilhões de reais para 2011 e avisa que não vai parar por aí. “O mercado cresce muito. A produção anual de automóveis, por exemplo, vai saltar de 3,5 milhões de unidades para 10 milhões em dez anos. Vivemos uma fase de pleno emprego e vai ser preciso investir para aproveitar esse cenário.” O otimismo de Eike é compartilhado por diversos empresários, tanto brasileiros quanto estrangeiros.
A chinesa Sinopec anunciou investimento de 12 bilhões de reais para comprar 40% das operações da espanhola Repsol no Brasil. Juntas, vão explorar campos na área do pré-sal. A americana General Electric, que já havia anunciado investimentos de 500 milhões de dólares num centro de pesquisa e em suas unidades de energia e de aviação, negociava em dezembro os detalhes para comprar, por 1,3 bilhão de dólares, a empresa de equipamentos para exploração de petróleo Wellstream, cuja principal fábrica fica no Rio de Janeiro (até o fechamento desta edição, o negócio não havia sido finalizado). O que move os negócios e os planos de expansão é a confiança. “O cenário é muito positivo no longo prazo. É preciso cometer um erro muito grave e insistir nele por muito tempo para que o quadro piore significativamente”, diz Fernando Martins, vice-presidente de Óleo e Gás da GE para a América Latina. “Não acredito que isso vá acontecer.”
Novo mapa
Além de colocar a atividade produtiva em outro patamar, os novos investimentos também ajudam a mudar o mapa econômico brasileiro, ainda muito concentrado no Sudeste do país. Em dezembro, foram anunciados dois investimentos importantes junto ao porto de Suape, em Pernambuco. A Fiat, líder no mercado brasileiro de automóveis e que desde a década de 70 produz apenas em Minas Gerais, vai construir uma fábrica com capacidade para produzir 200 000 veículos por ano no local, um investimento de 3 bilhões de reais. (O investimento foi antecipado pelo site EXAME.com em 9 de dezembro e confirmado pela Fiat cinco dias depois.) Lá também, um grupo de empresas formado pela pernambucana Moura Dubeux Engenharia, pela Trasteel, de Luxemburgo, e pela Fábrica, de ex-executivos da Vale e do grupo EBX, anunciou a construção da Companhia Siderúrgica do Suape (CSS), com investimento de 1,5 bilhão de reais. Será a primeira fábrica de aços planos do Nordeste.
usina deverá contribuir para o aumento da produção de bens duráveis, como automóveis e geladeiras. Atualmente, o consumo de aço plano no Nordeste é de 30 quilos por habitante por ano. A média brasileira é de 140, mas em países como a Coreia do Sul, supera 1 tonelada. “O Brasil precisa chegar a uma média de 200 a 300 quilos per capita para crescer 5% ao ano nos próximos dez anos”, diz Ricardo Antunes, presidente da CSS. “Para nós, a diferença é uma oportunidade.”

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Para colocar tantos projetos bilionários em pé será necessário um significativo aumento na capacidade de financiamento do país. O BNDES, que atualmente responde por cerca de 30% dos créditos a empresas, com 146 bilhões de reais desembolsados em 2010, avisou que não pretende elevar o nível de empréstimos. Boa parte dos financiamentos futuros deve vir do exterior e do caixa próprio das empresas. Além disso, em dezembro o governo divulgou um pacote que isenta do imposto de renda algumas aplicações de longo prazo para investidores estrangeiros e para brasileiros na pessoa física. Para as empresas brasileiras, a alíquota cairá de 34% para 15% sobre o lucro. A expectativa do governo é, com os incentivos, injetar 350 bilhões de reais privados na economia. Se a oferta de dinheiro tem uma perspectiva de ampliação, falta atacar uma série de problemas que atrapalham os investimentos, como os nós da infraestrutura. Mas até isso pode ser visto de um ângulo positivo. “No tempo da inflação, ninguém se preocupava com estrada ruim”, diz Cândido Bracher, presidente do Itaú BBA. “No melhor momento da economia em 30 anos, as queixas refletem um país que quer investir e crescer

Monday, November 1, 2010

BRASIL - POLITICA E ECONOMIA

O Governo Lula (2003–2010) corresponde ao período da história política brasileira que se inicia com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, em 1 de janeiro de 2003, em sua quarta tentativa para chegar ao cargo presidencial, após derrotar o candidato do PSDB e ex-ministro da Saúde José Serra, após ser derrotado nos anos de 1989, 1994 e 1998.

Em outubro de 2006, Lula se reelegeu para a presidência, derrotando o candidato do PSDB Geraldo Alckmin, sendo eleito no segundo turno com mais de 60% dos votos válidos contra 39,17% de seu adversário.[1]
Sua estada na presidência terminará em 31 de Dezembro de 2010.
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Economia - Primeiro e segundo mandatos de Lula

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central desde o início do Governo LulaA gestão Lula iniciou dando segmento a política econômica do governo anterior, FHC. O capital internacional encontrava-se em "debandada" à época [2]. Para tanto, nomeou Henrique Meirelles, deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás em 2002, para a direção do Banco Central do Brasil dando um forte sinal para o mercado - principalmente o Internacional, em que Meirelles é bastante conhecido por ter sido presidente do Bank Boston - de que não haveria mudanças bruscas na política econômica no governo Lula[3]. Nomeou o médico sanitarista e ex-prefeito de Ribeirão Preto Antônio Palocci, pertencente aos quadros do PT, como Ministro da Fazenda. Após seguidas denúncias contra Palocci feitas pela mídia, este pediu demissão (em 27 de agosto de 2009, o STF arquivou a denúncia feita contra Palocci).[4]) O seu substituto foi o economista e professor universitário Guido Mantega, que assumiu o ministério em 27 de março de 2006.
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O Governo Lula caracterizou-se pela baixa inflação, redução do desemprego e constantes recordes da balança comercial.[5] Promoveu o incentivo às exportações, à diversificação dos investimentos feitos pelo BNDES, estimulou o micro-crédito e ampliou os investimentos na agricultura familiar através do PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar).[6] Na gestão do presidente Lula observou-se o recorde na produção da indústria automobilística, em 2005 e o maior crescimento real do salário mínimo [7], resultando na recuperação do poder de compra dessa parte da população. Também houve o refortalecimento da Petrobras, que culminou com o renascimento da indústria naval brasileira, que em 2009 passou a ser a sexta maior do mundo.[8]
Em 2010, Alan Mulally, presidente mundial da Ford afirmou que graças aos programas de incentivo do Governo Lula foi possível ao país sair de forma efetiva da crise mundial.[9]Durante a crise a retração do PIB foi de apenas 0,2%, mostrando um resultado melhor que as grandes economias do mundo obtiveram.[10]
A classe média no país aumentou, entre 2009 e 2010 cresceu a demanda interna em 8%. Além disso, a inflação ficou controlada.[10]
Inflação
Nos sete primeiros anos do Governo Lula, a taxa de inflação oficial do País, representada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em seis oportunidades dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).[11] A exceção ficou por conta justamente do primeiro ano da gestão, em 2003, quando o IPCA, mesmo mostrando uma alta menor, de 9,30%, ante a taxa de 12,53% de 2002, ficou acima da meta ajustada de 8,5% anunciada pelo Banco Central.[12]
Em 2004, depois de o CMN estipular uma meta de inflação acumulada de 5,5% para aquele ano, com tolerância de 2,5 pontos porcentuais para baixo ou para cima,[13] o IPCA atingiu uma taxa final de 7,60%, bem próxima do teto estabelecido. Em 2005, a inflação oficial do País fechou o período com uma alta acumulada de 5,69%, dentro da meta de 4,5%, com tolerância de 2,5 pontos para cima ou para baixo.
A partir de 2006, o CMN manteve o ponto central da meta inflacionária do Brasil em 4,5%, mas reduziu as margens para 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. Foi exatamente nesse ano que o IPCA atingiu a marca de 3,14%, a menor taxa desde o início de implantação das metas, em 1999.
Em 2007 e 2008, a inflação acumulada avançou para os níveis de 4,46% e de 5,90%, respectivamente, mas ainda continuaram dentro do intervalo perseguido pelo Banco Central. Em 2009, em virtude principalmente da alta menor no preços dos alimentos, o IPCA acumulado desacelerou para a marca de 4,31%.[14]
Guido Mantega[editar] Salário Mínimo
O salário mínimo passou, em oito anos, de 200 para 510 reais
(aumento de 155%). O nível de desemprego registrou queda no Governo Lula, caindo de uma taxa de 12% em 2003, para 9% em 2007.[15]
PIB
O PIB registrou expansão média de 3,55% ao ano, entre 2002
e 2009, segundo estudo do economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ. O valor fica abaixo da média de crescimento da economia do período republicano, de 4,55%, e coloca o Governo Lula na 21ª posição em ranking de 29 presidentes [16]
Arrecadação e Impostos
Em 2007, houve uma tentativa de se prorrogar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), embora o Governo estivesse batendo recordes de arrecadação. O Governo Lula lutou pela manutenção da CPMF. Mas, posteriormente, o Senado extinguiu o imposto. O professor de Economia Brasileira da PUC do Rio, Luiz Roberto Cunha, citou, à época: "Acredito que o impacto será positivo. O fim da CPMF vai gerar até um aquecimento da economia, porque o consumidor vai ter mais dinheiro para gastar e as empresas, para investir Dívida Externa
Durante a gestão de Lula, a liquidação do pagamento das dívidas com o FMI contraídas em governos anteriores foram antecipadas, fato criticado por economistas por se tratar de dívida com juros baixos. Mas esta ação resultou em melhor prestígio internacional e maior atenção do mercado financeiro para investir no Brasil.[19] A dívida externa brasileira, no entanto, continuou alta: era de US$ 214,93 bilhões no ano de 2003, e em agosto de 2010, a estava em US$ 235,4 bilhões.[editar] Taxa de Juros
Prédio do Banco Central em BrasíliaA condução da política de juros do governo é considerada conservadora. O ex-presidente do Banco Central cita que, se o BC corrigisse o atual modelo, O Brasil poderia ter tido um crescimento entre 1999 e 2008 parecido com o do milagre brasileiro de 1968-1973, ou seja, uma alta taxa média de crescimento, de mais de 5% ao ano, sem pressões inflacionárias, o que não ocorreu.[21] Mesmo altas, as taxas adotadas pelo governo Lula equivalem, nominalmente, a menos da metade do valor praticado pelo governo de seu antecessor, que estavam em torno de 25% no início de 2003. Analistas financeiros apontaram que a taxa de juros SELIC saiu de 25% ao ano em 2003, quando Lula tomou posse, para 8,75% ao ano em julho de 2009 (no segundo mandato de Lula), a mais baixa da história.[22] Na prática, porém, o juro real brasileiro (a taxa de juros descontando-se a inflação do país) continua sendo o mais alto do mundo. Em março de 2009, por exemplo, levantamento feito pela consultoria UpTrend mostrou que, considerando a inflação projetada para 12 meses posteriores, o juro real brasileiro é de 6,5% ao ano. A Hungria aparecia em segundo lugar, com 6,2% ao ano. Argentina e China vinham em seguida, com 4,3%.[23] Esta redução dos juros provocou o deslocamento de muitos investimentos em títulos da dívida pública para o setor produtivo, fazendo com que o Índice BOVESPA saltasse de 40.000 pontos no início de seu mandato para mais de 60.000 pontos em 2007, aquecendo o mercado acionário e o capital social das empresas brasileiras.[carece de fontes?]

Críticos argumentavam que os números positivos do Brasil eram consequência da bonança financeira internacional; uma delas era a forte demanda asiática por produtos primários brasileiros, aumentando a sua cotação e consequentemente inflando o superávit comercial, que poderia mudar a qualquer momento, e que o país não disporia de um plano de desenvolvimento claro. Estes argumentos, porém, mostraram-se falhos ou insuficientes, na crise econômica que atingiu fortemente o mundo, no final de 2008 e início de 2009 (no segundo mandato de Lula). Graças às políticas e ações feitas pelo governo Lula, além da manutenção de políticas de governos anteriores, o Brasil sofreu pouco com a crise, e isso foi reconhecido internacionalmente por outros países.[24][25] De acordo com estudos da fundação da Alemanha Bertelsmann publicados em 2010, o Brasil foi um dos países que melhor reagiram perante a crise. Segundo os relatórios publicados, a fundação elogia os programas sociais do país e o controle austero sobre as instituições financeiras, e revela que o país alcançou posições econômicas melhores.[26]
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Recriação de órgãos públicos
Houve, na gestão Lula, a recriação de alguns órgãos extintos no governo anterior, por excesso de fraudes e desvios de verbas, como a SUDENE [27][28][29], que até hoje não obtiveram os resultados desejados[carece de fontes?] e a criação de novas empresas estatais de menor porte.[carece de fontes?]

[editar] Privatizações
O governo Lula também se caracteriza pelo fim do ciclo de privatizações das empresas estatais. Um dos pontos controversos das privatizações ocorridas no governo anterior foi a venda da companhia Vale do Rio Doce, a um valor menor que o lucro obtido no primeiro ano de gestão dos novos donos. Sob direção privada e sem influência direta do governo, a empresa veio a se tornar uma das mais competitivas do mundo, mas foi feito às custas, principalmente, do aumento da exploração das reservas de minério, do preço de seus produtos finais e de uma administração com melhor competência técnica.[carece de fontes?]

Por outro lado, após 5 anos de mandato, o governo Lula passou também a apoiar uma política de privatizações de rodovias, com os leilões de concessão de 7 lotes de rodovias federais, vencidos na maioria por empresas estrangeiras.[30]. O governo Lula foi responsável pela privatização de cerca de 2,6 mil quilômetros de rodovias federais, que foram a leilão em 9 de outubro de 2007.[31] O grande vencedor do leilão para explorar por 25 anos pedágios nas rodovias foi o grupo espanhol OHL. O diferencial é que as novas concessões advindas das privatizações no governo Lula resultaram em um salto qualitativo e preços dos pedágios bem mais baixos que os efetuados nas concessões feitas no governo anterior com a diferença podendo chegar até a 500%.[32]

Houve também a privatização de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul para a Vale do Rio Doce pelo valor de R$ 1,4 bilhão. Entre outras privatizações do governo Lula, estão a do Banco do Estado do Ceará, Banco do Estado do Maranhão, Hidrelétrica Santo Antônio, Usina Hidrelétrica de Jirau, Linha de transmissão Porto Velho (RO) – Araraquara (SP) [33]

[editar] Redução da pobreza e distribuição de renda
Em 2010, o Bird afirmou que o país avançou na redução da pobreza e distribuição de renda. Segundo a entidade, apesar da desigualdade social ser ainda elevada, conseguiu-se reduzir a taxa de pobreza de 40% em 1990 para 9,1% em 2006, graças à avanços perpetrados pelos governos Collor, Itamar, FHC e Lula. Os maiores motivos para a redução teriam sido a inflação baixa e os programas de transferência de renda.[34]

No mesmo ano, estudo da economista Sonia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), mostrou que o porcentual de pobres caiu de maneira sustentável no Brasil entre 2004 e 2008, durante o governo Lula. O levantamento, que teve como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, apontou que a proporção de pobres no País caiu de 33,2% para 22,9% no período pesquisado.[35]

[editar] Índice de Desenvolvimento Humano
Entre 2002 e 2007, o Brasil, embora tenha melhorado seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,790 para 0,813, caiu da 63º posição para a 75ª posição no ranking dos países do mundo. O estudo é divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que esclareceu o recuo do País para 75ª posição com dois fatores: a entrada de novos países no levantamento e a atualização de dados, que beneficiaram países como a Rússia [36][37]. Países considerados de "Alto Desenvolvimento Humano" são aqueles com IDH superior a 0,800. No levantamento referente a 2007, uma nova categoria de países foi incluída no ranking: o IDH "Muito Elevado", com número superior a 0,900.[38]

[editar] Reformas
Uma das plataformas de campanha de Lula foi a necessidade de reformas. Aprovou-se parcialmente no Congresso Nacional em 2003 a reforma da Previdência Social, levando alguns setores da sociedade a protestarem contra uma possível perda de benefícios e direitos adquiridos.[carece de fontes?] Outra reforma relevante ocorrida no Governo Lula foi a aprovação da Emenda Constitucional 45, de 2004, que ficou conhecida como Reforma do Judiciário. Seus principais aspectos foram a inclusão do princípio da celeridade processual como direito fundamental (art. 5º, LXXVIII); a criação de um órgão de controle administrativo, financeiro e disciplinar de todo o Judiciário do país (o Conselho Nacional de Justiça - CNJ, art. 103-B da constituição), além de outras normas que objetivam desde um processo judicial mais célere até a moralização e a transparência do Poder Judiciário.[carece de fontes?]


Antonio Palocci Filho, ex-ministro da Fazenda. Foto: Marcello Casal/Abr.[editar] Programas Sociais
Um relatório do IBGE, do fim de novembro de 2005, afirma que o governo do presidente Lula estaria fazendo do Brasil um país menos desigual. Com base no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a FGV divulgou estudo mostrando que a taxa de miséria de 2004 caiu 8% em comparação a 2003, ano em que Lula tomou posse. Ainda segundo a PNAD, oito milhões de pessoas saíram da pobreza (classes D e E) ao longo do governo Lula.

[editar] Bolsa Família
Um programa social bastante conhecido do governo Lula é o Bolsa Família. Ele foi criado através do Decreto Nº 5.209 de 17 de Setembro de 2004.[39]. A finalidade do programa, que atende cerca de 12,4 milhões de habitantes, é a transferência direta de renda do governo para famílias pobres (renda mensal por pessoa entre R$ 69,01 e R$ 137,00) e em extrema miséria (renda mensal por pessoa de até R$ 69,00).[40] O programa foi uma reformulação e ampliação do programa Bolsa-Escola do governo FHC, que tinha uma abrangência bem mais tímida de 5,1 milhões de famílias[41]. Apesar de receber algumas críticas de determinados setores da sociedade, que classificam o programa de meramente assistencialista, o Bolsa Família também é elogiado por especialistas pelo fato de ser um complemento financeiro para amenizar a fome das famílias em situação financeira precária. É apontado também como um dos fatores que propiciaram às famílias das classes mais pobres o consumo maior de produtos[42], o que beneficia a economia do país.

[editar] O Fome Zero
O Programa Fome Zero foi a principal plataforma eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Nessa campanha eleitoral, ele pregava a eliminação da fome no Brasil. O programa Fome Zero começou como uma tentativa do Presidente da República de mobilizar as massas em favor dos pobres em estado de extrema miséria ainda muito presente no Brasil. O programa fez com que os olhos dos governos internacionais se voltassem para o Brasil, sendo Luiz Inácio muito elogiado em seus primeiros discursos internacionais. Era uma tarefa ousada e que, por uma série de razões, incluindo o curto prazo, não foi realizada a contento. Pelo contrário. O programa Fome Zero não deu certo e costuma ser citado pelos críticos como um dos principais fracassos da administração Lula, conforme editorial do Jornal do Brasil.[43] O programa hoje é considerado extinto e substituído pelo Bolsa-Família [44]

[editar] Primeiro Emprego
O Governo Lula lançou, em 2003, o programa Primeiro Emprego, bandeira de campanha da eleição de Lula em 2002. Porém, o programa não deslanchou: em 2004, nove meses depois de lançado, o programa, que tinha a meta de criar 70 mil empregos para jovens carentes até o fim do ano, só criou 1.308.[45] O programa foi extinto em 2006, tendo conseguido empregar 3.936 jovens, quando o plano inicial era 260 mil vagas por ano - o que daria 715 mil jovens empregados nesses 33 meses.[46]. Em 2007, o programa, que dava vantagens a empresas que oferecessem vagas a jovens de 16 a 24 anos, foi excluído do projeto do PPA (Plano Plurianual) 2008-2011. Como o PPA orienta os Orçamentos a cada quadriênio, isso significava o fim da verba para o Primeiro Emprego a partir de 2008.[47] Em 2009, o Governo estudou ressuscitar o programa, porém, até o momento não houve um consenso sobre o assunto.[48]

[editar] Educação
No campo da educação, o governo Lula apresenta fortes níveis de escolarização em todas as faixas etárias. A parcela da população que não frequentava a escola foi reduzida de 29% para 18% em apenas 36 meses, considerando o grupo de 5 a 17 anos de idade. No nível básico, o percentual de crianças fora da escola caiu, em 2005, para 2,8% [carece de fontes?]. Com a criação do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), o governo Lula tem como objetivo atender 47 milhões de estudantes brasileiros, com investimentos anuais de até R$ 4,3 bilhões.Na área do ensino superior, o ProUni (Programa Universidade Para Todos) é o maior programa de bolsas de estudo da história da educação brasileira. Em 2005, o ProUni ofereceu 112 mil bolsas de estudo em 1.412 instituições em todo o país. O governo também criou 9 universidades públicas federais, interiorizando o acesso à educação pública gratuita. Atualmente, as universidades federais oferecem 122 mil vagas gratuitas. Contudo, o programa é criticado por professores e estudiosos de instituições de ensino federais, pois algumas delas se encontrariam em processo de sucateamento por falta de repasse de recursos federais. Alegam também ser uma distribuição de recursos públicos a instituições de ensino privado de baixa qualidade.[carece de fontes?]

[editar] Mortalidade Infantil
Com relação à mortalidade infantil, o governo Lula seguiu a tendência de queda, que se observa desde 1930 no Brasil.[49] Segundo dados, a taxa de mortalidade infantil caiu para 26 mortes para grupo de mil habitantes, ante 29,6 do governo anterior.[50]

[editar] Combate à Escravidão
O combate à escravidão e ao trabalho degradante foram fortificados do governo do presidente Lula. Quando Lula assumiu, FHC tinha deixado um Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, uma base sobre a qual o governo Lula poderia trabalhar [51]. O resultado foi que, entre 1995 e 2009, o Brasil resgatou cerca de 30 mil pessoas da condição de trabalho escravo, a maioria no Governo Lula.[52]. Porém, as punições ao trabalho escravo no Brasil continuam brandas. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), até hoje houve no país apenas uma condenação com pena de prisão, sendo aplicadas normalmente apenas multas, indenizações às vítimas e bloqueio de ficha de empresas para o recebimento de financiamentos.[53][54]

[editar] Política externa - Primeiro e segundo mandatos de Lula

Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso AmorimNo plano internacional, o Brasil sob a administração de Lula exerce uma posição de destaque no grupo de países emergentes frente aos mais ricos. Uma das reivindicações desse grupo de países é a queda das barreiras alfandegárias e dos subsídios agrícolas, que vem sendo discutida na Organização Mundial de Comércio.[carece de fontes?]

Uma das prioridades do governo Lula foi a integração da América do Sul através da expansão do Mercosul, criação da União Sul-Americana de Nações, e a abertura de novas rotas comerciais com países os quais o Brasil pouco se relacionava, em especial os países árabes e africanos. Igualmente, a política externa do atual governo busca estimular a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), pleiteando, nesse contexto, um assento permanente no Conselho de Segurança.[carece de fontes?]

A atual política externa procura igualmente dar ênfase a temas sociais, em particular à luta contra a fome e a pobreza no âmbito global. Além disso, tem buscado intensificar as discussões acerca do financiamento ao desenvolvimento, estimulando o surgimento de mecanismos financeiros inovadores. Nesse contexto, tem ganhado importância a discussão acerca dos crescentes fluxos de remessas de recursos dos migrantes que vivem em países desenvolvidos para seus países de origem. Essa fonte de divisas joga papel fundamental no desempenho econômico de muitos países em desenvolvimento. Porém, o governo Lula tomou decisões controversas em matéria de política externa. Uma delas foi o reconhecimento da China como economia de mercado, o que derrubou diversas barreiras comercias impostas aos produtos chineses, facilitando sua entrada no mercado brasileiro prejudicando a economia nacional em alguns setores. Mas esse movimento não surtiu o efeito desejado, que é o apoio da China à demanda brasileira por um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, já que o Japão, apoiado pelos EUA, também quer um assento permanente e isso seria inaceitável para os chineses. O Governo Lula também acumula algumas derrotas em suas tentativas na criação de um bloco econômico compreendido por países subdesenvolvidos e emergentes. O Governo Lula patrocinou uma missão de paz no Haiti, almejando crédito com a ONU. Cerca de 1200 militares brasileiros desembarcaram no Haiti em uma missão pacífica visando a reestruturação do estado haitiano.[55]
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Meio Ambiente - Primeiro e segundo mandatos de Lula
O Governo Lula obteve avanços em relação à questão do Meio Ambiente.[carece de fontes?] Embora os ocupantes do cargo de Ministro tenham sido pessoas notoriamente dedicadas ao assunto (Marina Silva e Carlos Minc), a gestão da pasta foi conturbada; porém, produtiva em alguns setores.[carece de fontes?] Marina Silva (PT-AC) resistiu até 2008, e deixou o Ministério do Meio Ambiente por enfrentar oposição à sua agenda dentro do governo, pedindo demissão. Pediram demissão junto com Marina, o presidente do Ibama, Bazileu Margarido, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, João Paulo Capobianco, que também é secretário-executivo do ministério. Uma das razões que levou à demissão de Marina foi o fato do Ministério da Agricultura, chefiado por Reinhold Stephanes, estar pressionando para flexibilizar a regra que restringe o crédito agrícola de quem desmatou sem licença ambiental e não tem registro da propriedade. Os motivos não foram divulgados oficialmente, mas a interferência do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, na área de meio ambiente foi o estopim para a saída. Marina teve várias derrotas no governo. Ela saiu no mesmo dia em que o governo brasileiro foi denunciado ao Comitê de Cumprimento do Protocolo de Cartagena, da ONU, por não cumprir o tratado - que tem como objetivo proteger a diversidade biológica e também a saúde humana frente aos riscos dos transgênicos - e por não exigir estudos sobre o impacto do milho geneticamente modificado no meio ambiente do país. A denúncia foi assinada por seis entidades da sociedade civil brasileira, que representam pequenos agricultores, consumidores, ambientalistas e organizações de direitos humanos. Baseada em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama, a denúncia pede a suspensão das decisões que liberaram o plantio comercial de milho transgênico no país.[66]

Desde que assumiu o Meio Ambiente, Minc tem entrado em rota de colisão com setores ruralistas, que buscam mudanças na legislação ambiental, as quais o ministro e o setor ambientalista se opõem. Recentemente, parlamentares ruralistas conseguiram colocar mudanças numa medida provisória que visa a regularização fundiária na Amazônia. Segundo ambientalistas, essas mudanças, se aprovadas, provocarão uma nova onda de ocupação fundiária e desmatamento na região. Minc se queixou da falta de cumprimento das decisões acertadas entre diferentes áreas do governo [67]

Porém, ações governamentais como fiscalização das áreas desmatadas, racionalização do uso do solo, criação de reservas florestais e controle de crédito para produtores irregulares fizeram a Amazônia possuir a menor taxa de desmatamento em 21 anos.[68] O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais anunciou que foram desmatados 7 mil km². Em 1991 tinham sido desmatados 11,3 mil km².

O Governo Lula também aprovou a Política Nacional de Mudanças Climáticas com metas de reduções de emissões de gases do efeito estufa.[69]

[editar] Crises
Ver artigos principais: Escândalo do mensalão, Crise no setor aéreo brasileiro e Escândalo dos cartões corporativos.
A partir de 2004, o governo Lula enfrentou crises políticas, que atingiram seu grande desempenho em julho de 2005 quando denunciaram um suposto esquema de compra de votos de deputados no congresso e suposto financiamento de campanhas por "Caixa 2". Várias outras denúncias de escândalos foram sendo descobertas, como o caso da quebra de sigilo de um caseiro pelo do estado, que levou a demissão do ministro Antonio Palocci, além da tentativa de compra de um dossiê por parte de agentes da campanha do PT de São Paulo.

A crise no setor aéreo brasileiro ou "apagão aéreo", como divulgado pela imprensa, é uma série de colapsos no transporte aéreo que foram deflagrados após o acidente do vôo Gol 1907 em 29 de setembro de 2006. Apagão é um nome adotado no Brasil para referir-se a graves falhas estruturais em algum setor. Durante mais de um ano a situação no transporte aéreo de passageiros no Brasil passou por dificuldades, ocasionando inclusive a queda do ministro da Defesa do governo Lula, Waldir Pires.

No início de 2008 começava uma nova crise: a crise do uso de cartões corporativos. Denúncias sobre irregularidades sobre o uso de cartões corporativos começaram a aparecer. As denúncias levaram à demissão da Ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que foi a recordista de gastos com o cartão em 2007.[70] O ministro dos Esportes Orlando Silva devolveu aos cofres públicos mais de R$ 30 mil, evitando uma demissão.[71] A denúncia que gerou um pedido de abertura de CPI por parte do Congresso foi a utilização de um cartão corporativo de um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, com gasto de R$ 55 mil entre abril e dezembro de 2007. A investigação, no entanto, contou com a abrangência desde o período de governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso. A imprensa revelou que o Palácio do Planalto montou um dossiê que detalhava gastos da família de FHC e que os documentos estariam sendo usados para intimidar a oposição na CPI, mas a Casa Civil negou a existência do dossiê.[72] Meses depois, sob críticas da oposição, a CPI dos Cartões Corporativos isentou todos os ministros do governo Lula acusados de irregularidades no uso dos cartões e não mencionou a montagem do dossiê com gastos do ex-presidente FHC.[73]

[editar] Segundo mandato

O presidente Lula na cerimônia de posse de seu segundo mandato, em Brasília.Para seu segundo mandato, Lula conta com apoio de uma coalizão de doze partidos (PT, PMDB, PRB, PCdoB, PSB, PP, PR, PTB, PV, PDT, PAN e PSC), cujos presidentes ou líderes têm assento no Conselho Político, que se reúne periodicamente (normalmente a cada semana) com Lula. Além disso, PTdoB, PMN e PHS também fazem parte da base de apoio do governo no Congresso, totalizando quinze partidos governistas. Lula havia lançado, no dia da reeleição, a meta de crescimento do PIB a 5% ao ano para seu segundo mandato, da qual, aparentemente, recuou, pelo menos para o ano de 2007 (ainda assim foi atingida). [carece de fontes?]

O ano de 2007 é marcado pela retomada da atividade em vários setores da economia, em virtude principalmente da recuperação da renda da população e pela expansão do crédito no país. maior para a agropecuária, com desempenho puxado pelo aumento do consumo interno de alimentos e da demanda internacional por commodities. As melhores condições de renda e crédito também impulsionaram o desempenho da indústria, com para os recordes de produção do setor automotivo, além do setor de construção civil, grande gerador de empregos no período. Com a retomada da atividade, o PIB brasileiro apresentou expansão de 5,4% em 2007, a maior taxa de crescimento desde 2004, quando houve crescimento de 5,7%.[74] A partir da criação da Secretaria Nacional dos Portos, no dia 7 de maio de 2007, o governo passou a ter 37 ministérios.[carece de fontes?]

No ano seguinte, quando o aquecimento da demanda e da atividade econômica nacional já geravam preocupações para o cumprimento das metas de inflação e obrigavam o Banco Central a apertar a política monetária por meio do aumento da taxa básica de juros, a crise financeira mundial originada nos Estados Unidos atingiu o Brasil no último trimestre. Como o primeiro semestre ainda havia apresentado um desempenho econômico forte, o PIB nacional terminou 2008 com uma taxa de expansão ainda relevante de 5,1%.[75] Sob influência do impacto da crise financeira global, que trouxe aumento do desemprego no país no primeiro bimestre de 2009, a aprovação do governo Lula, que em dezembro de 2008 havia batido novo recorde, ao atingir, segundo a Pesquisa Datafolha, a marca de 70% de avaliação de "ótimo" ou "bom"[76], sofreu queda em março de 2009, para 65%. Foi a primeira redução observada no segundo mandato do presidente.[77]

A queda na avaliação positiva foi bastante efêmera, já que, logo no mês de maio de 2009, pesquisas voltaram a trazer crescimento na aprovação do governo, também em consequência da estabilidade do Brasil frente à crise econômica internacional.[78] Na Pesquisa Datafolha publicada em 31 de maio do mesmo ano, a avaliação positiva voltou ao patamar de novembro, quando a taxa de aprovação do governo chegou ao recorde de 70%.[79]

Em julho de 2010, conforme pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de São Paulo, a popularidade de Lula atingiu seu melhor valor desde 2003, sendo também a melhor popularidade entre todos os presidentes pesquisados a partir de 1990. 78% dos pesquisados apontaram o governo como ótimo ou bom.[80]

No segundo mandato de Lula, pode-se detectar que alguns serviços públicos brasileiros vêm deixando a desejar em relação ao que eram no passado[carece de fontes?], como por exemplo os Correios, antigamente um símbolo de eficiência.[81]. A situação das agências reguladoras de serviços públicos, como a Anac, que cuida da Aviação Civil, têm tido seguidos problemas, o que vem causando deficiências na qualidade do serviço aeroviário brasileiro.[82]

[editar] Infraestrutura
Os investimentos em infra-estrutura vêm sendo considerados insuficientes para as necessidades de crescimento do Brasil, segundo análises e cálculos. Segundo dados do economista Raul Velloso, calculados com base no IBGE, as atuais taxas de investimentos diretos da União estão longe das registradas na década de 70. De acordo com Velloso, a taxa de investimentos da União chegou a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), sem considerar estatais, enquanto que em 1976, no governo Geisel, os investimentos da União eram 1,9% do PIB, também excluindo as estatais. Entre 2003 e 2009, a taxa de investimento da União oscilou entre 0,2% - uma das mais baixas desde 1970 - e 0,6%, estimativa para 2009. O economista José Roberto Afonso cita que o investimento público subiu nos últimos anos do Governo Lula, sobretudo em 2009, com uma maior execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Afirma, porém, que a alta foi insuficiente para compensar a perda no setor privado e também em relação a décadas anteriores.[83]

Em janeiro de 2007, foi lançado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um conjunto de medidas que visava à aceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira, com previsão de investimentos de mais de 500 bilhões de reais para os quatro anos do segundo mandato do presidente, além de uma série de mudanças administrativas e legislativas.

O PAC, no entanto, vem apresentando problemas de execução(atrasos). O próprio presidente Lula citou o atraso na Rodovia TransNordestina.[84] Apesar de os balanços do PAC preverem, por exemplo, investimentos em rodovias de R$ 45,5 bilhões em quatro anos, nos últimos três as Leis Orçamentárias Anuais (Loas) tinham autorizado somente R$ 21,6 bilhões para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o que equivale a 47,6% do previsto. Apenas R$ 7,4 bilhões foram efetivamente pagos. Esse valor representa 16,41% dos recursos anunciados pela União para construção, adequação, duplicação e recuperação de trechos de rodovias em todo o país, e 34,58% dos recursos autorizados no orçamento para os projetos.[85] Segundo dados baseados no site Contas Abertas, das 12.520 obras do PAC em todo o país, pouco mais de 1.200 foram feitas, ou 9,8% do total.[86] Já o Governo alega que completou 40% das ações. Embora não exista na atualidade um balanço totalmente confiável da execução do PAC[carece de fontes?], os diversos números apontam a mesma situação de atraso, visto que em 2010 todas as obras deveriam estar prontas.[87]

[editar] Educação
O Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu 295 objetivos para nortear o planejamento da educação no Brasil, da creche à pós-graduação, até 2010. Mas às vésperas de chegar ao fim, muito deixou de ser cumprido. É o que avaliaram especialistas entrevistados pela Agência Brasil: O PNE determinava que o analfabetismo deveria ser erradicado até 2010, mas o Brasil ainda tem 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, cerca de 10% da população acima de 15 anos. De acordo com o plano, 30% das crianças de zero até 3 anos de idade deveriam estar matriculadas em creches. Mas segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a taxa de atendimento está em 18%. Já na pré-escola (entre 4 e 5 anos), a meta foi atingida. O MEC prevê que até o fim de 2010 o atendimento chegará a 80%, exatamente o que estava previsto no plano. Até 2008 a taxa era de 73%. Segundo dados da última Pnad, 97,9% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola. O número, muito perto de 100%, atinge a meta de universalização do ensino fundamental. O plano também previa que a etapa fosse ampliada para nove anos, com início aos 6 anos, mudanças que está sendo consolidada pelas redes em 2010. Até o final da década, a meta era ter 30% da população de 18 a 24 anos inseridos no ensino superior. De acordo com dados da Pnad de 2008, o percentual ainda está abaixo de 15%.[88]

O investimento em educação, realizado no Governo Lula, vem sendo considerado insuficiente, perante especialistas e entidades do setor. Em 2002 foi de 4,1% do PIB, se mantendo estável até 2005 ; a partir de 2006, começou a haver um leve aumento e em 2008 alcançou 4,7% do PIB. Porém, considera-se que o ideal seria um investimento entre 8 e 12% do PIB, face ao déficit educacional brasileiro atual.[89]

Ao final do Governo Lula, o Brasil apresenta alta repetência e baixos índices de conclusão da educação básica, aponta o relatório "Monitoramento de Educação para Todos 2010", lançado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Na região da América Latina e Caribe, a taxa de repetência média para todas as séries do ensino fundamental é de 4,4%. No Brasil, o índice é de 18,7%, o maior de todos os países da região. Apesar disso, o Brasil está no grupo de países intermediários em relação ao cumprimento de metas sobre acesso e qualidade de ensino estabelecidos pela organização. O país ocupa a 88ª posição em um ranking de 128 países. Entre as quatro principais metas estabelecidas pela UNESCO, o Brasil tem um bom desempenho na alfabetização, no acesso ao ensino fundamental e na igualdade de gênero. Mas tem um baixo desempenho quando se analisa o percentual de alunos que conseguem passar do 5º ano do ensino fundamental.[90]

[editar] Saúde
Na Saúde, o Governo Lula também vem atuando com investimentos considerados insuficientes para as necessidades do país. Representantes do Ministério da Saúde dizem que o país está abaixo do mínimo necessário para os sistemas universais de saúde. Segundo a coordenadora-geral do departamento de Economia da saúde do ministério, Fabiola Vieira, é fato que o percentual da despesa alocada em saúde em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil é muito inferior a de outros países. "Conforme estimativa da OMS (Organização Mundial de Saúde), nos sistemas universais o percentual gira em torno de 6,5% do PIB, enquanto no nosso com despesa pública está girando em torno de 3,5% do PIB". Outro problema é que as famílias brasileiras estão gastando mais em Saúde do que o próprio Governo Brasileiro. Os gastos com bens e serviços de saúde no Brasil foram de R$ 224,5 bilhões em 2007, o que equivale a 8,4% do PIB daquele ano, sendo 4,8% dos gastos de famílias e apenas 3,5% do PIB de consumo da administração pública. O secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Luiz Fernando Beskow, diz que os gastos públicos no país, na área de Saúde (41,6%) estão abaixo da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 72%.[91] Em 2009, a situação continou a mesma: o Brasil investiu 7,5% do PIB em Saúde, ao passo que outros países investem acima deste valor, como os EUA, que investiram o dobro do Brasil: 15,3% [92] O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também critica os recursos destinados para o Ministério da Saúde previstos no Orçamento da União. Segundo o ministro, os R$ 66,9 bilhões previstos para 2010 não atendem às demandas da Pasta.[93]

[editar] Segurança
No âmbito geral, o país continua com sérios problemas no quesito Segurança. Um dos grandes problemas é a livre entrada de drogas e armas no país através das fronteiras, portos e aeroportos, que alimenta a criminalidade. O Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, reclamou da sobrecarga de tarefas da polícia fluminense, que estaria executando afazeres de responsabilidade do Governo Federal. Gilmar Mendes, presidente do STF, citou: "No Rio, há o uso de armamentos pesados, que são importados ilegalmente. Isso passou pela fronteira. Não é um problema básico do Rio, mas da falta de controle. Há uma responsabilidade nacional, não podemos imputar apenas às autoridades locais". Sobre a divisão de responsabilidades, Beltrame também criticou a dificuldade de ação imposta pela burocracia estatal. Entre os maiores problemas estão as leis de licitação e as leis penais, que permitem que presos sejam soltos pela progressão das penas.[94]

Outra situação grave da atualidade é a do Sistema Carcerário Brasileiro. A situação chegou a ponto de ser instalada uma CPI. Em 2008, as investigações mostravam superlotação das prisões, a falta de acesso dos presos à educação e ao trabalho, e situações desumanas nos presídios. Durante oito meses, a CPI visitou 60 estabelecimentos em 17 estados e no Distrito Federal. O deputado Domingos Dutra (PT-MA), relator da CPI, pediu o indiciamento de cerca de 40 autoridades em todo o país e a responsabilização dos culpados, de alguma forma, pelo caos no sistema carcerário. De acordo com o relator, estima-se que o custo médio de um preso hoje no Brasil seja de R$ 1.300 a R$1.600 por mês. A criação de uma vaga no sistema carcerário tem o custo de R$ 22 mil. "Nós estamos pagando um valor absurdo e a culpa não é nem do preso, nem do carcereiro e nem de Jesus Cristo. A culpa é das autoridades brasileiras que sempre trataram o preso com descaso, como lixos humanos", afirmou o relator.[95]

Em 2007, o Governo Lula, tentando realizar melhorias na área, lançou o Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), que tem como objetivo auxiliar os Estados na qualificação e capacitação das forças policiais.[96]. Somente no final doS 8 anos do Governo Lula, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) começou a analisar mudanças no sistema carcerário [97] e o CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) do Senado, mudanças no Código de Processo Penal, que, no entanto, foram criticadas pela possibilidade de tornar a Justiça mais lenta do que já é na atualidade.[98]

[editar] Habitação
O déficit habitacional do Brasil, hoje, chega a 7,2 milhões de moradias. O déficit habitacional do Brasil é um sério problema atual, de responsabilidade governamental, que vem levando à favelização das cidades brasileiras, principalmente em grandes metrópoles, o que causa transtornos e dificuldades em áreas variadas, como segurança, saúde, organização das cidades e outros aspectos. A falta de habitações populares baratas é um dos principais motivos que levam a população à favelizar diversas áreas[99]. Em 2009, estimava-se que São Paulo, a maior cidade brasileira, possuía, sozinha, 1,3 milhão de favelados morando em cerca de 1600 favelas.[100] Para tentar amenizar o problema, o Governo Lula lançou, em abril de 2009, já perto do final do mandato de 8 anos, o plano "Minha Casa, Minha Vida". O programa visa construir 1 milhão de casas, reduzindo em 14% o déficit habitacional do país do momento.[101]

[editar] Telecomunicações
Iniciado em 2003, o Programa Computador para Todos possuía, em 2008, dezoito fabricantes cadastrados para produzir computadores de baixo custo a partir de lei estabelecida. Este foi um dos fatores que ajudaram algumas empresas a aumentar sua produção, de 250 mil unidades vendidas em 2005, para 2,8 milhões em 2009.[102] Outro fator a ser considerados neste crescimento, foi a maior facilidade de financiamento oferecido pelos varejistas. Este programa é um dos facilitadores da inclusão digital no país.[103] Porém, o país ainda possui 104,7 milhões de pessoas sem acesso à Internet, segundo pesquisa de 2009 do IBGE. Enquanto no Brasil o porcentual de pessoas (10 anos ou mais de idade) com acesso à rede é de 34,8%, na América do Norte chega a 74% e, na Europa, a 52%. O número de pessoas com computadores em seus domicílios vem crescendo e em 2009 atingiu o nível de 36%.[104]

Um dos problemas que vêm surgindo é o excesso de demanda no setor, aliado à falta de infra-estrutura para aguentar o crescimento, o que está preocupando a ANATEL, a Agência Nacional de Telecomunicações. No final de 2009, a agência começou a se reunir em busca de soluções para evitar que o Brasil passe por um "caladão". A palavra foi usada pelo próprio presidente da agência, Ronaldo Sardemberg, para se referir à possibilidade de o sistema telefônico do país passar por uma pane semelhante à que recentemente afetou o sistema elétrico. Recentemente, tem sido noticiado que a estrutura disponível para atender a telefonia fixa, celular e internet não está suportando a demanda e em breve o Brasil pode ficar mudo.[105]

Outro problema no setor é a própria atuação da ANATEL, que é criticada. Muitos consumidores só conseguem a resolução de seus problemas apelando para Brasília, devido à omissão da Agência, que é considerada não-transparente e ineficiente. Segundo o ouvidor da agência, Aristóteles dos Santos, "após dez anos de criação, a Anatel, por não cumprir ou não fazer cumprir integralmente os propósitos que justificaram a sua criação, vive, a nosso ver, uma relevante crise existencial". O ouvidor também acusa a Anatel de se omitir nos problemas de falta de competitividade e na falta de ação para baixar os preços da internet banda larga. Diz ele que "com baixos investimentos, as concessionárias dominam esse outro mercado regional praticamente sem concorrência. Cobra altos preços e tarifas elevadas dos usuários pelos acessos que operam em velocidades limitadas”. Aristóteles aponta ainda, em seu relatório, a falta de um plano para a telefonia rural, dizendo que a Anatel não pode se esquivar desta discussão.[106]

Lula lançou em 2008 um programa denominado Banda Larga nas Escolas que possibilitou o acesso de Internet de alta velocidade nas escolas públicas. Até 2008 2/3 das escolas brasileiras possuiam acesso a rede em banda larga. Estima-se que até o final de seu mandato 92% da população escolar brasileira pública brasileira estará com acesso a Internet de alta velocidade.[107]

[editar] Outros Indicadores Internacionais Gerais do Brasil no Governo Lula
A terceira edição do relatório produzido pela escola mundial de negócios Insead, em parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII), realizado em 2010, mostra que o Brasil está na 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010, que classifica as economias de Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo. Dentre os países latino-americanos, o país ficou apenas no 7º posto, perdendo para nações como Costa Rica, Chile e Uruguai. A pesquisa classificou 132 países a partir de 60 indicadores diferentes, tais como patentes por milhão de habitantes, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, usuários de internet banda larga e celulares por 100 pessoas e prazo médio para se abrir um negócio no país. O estudo também mede o impacto da inovação para o bem-estar social, incluindo dados de gastos com educação, PIB per capita e o índice Gini de desigualdade social.[108]

Em 2009, penúltimo ano do Governo Lula, estudo anual realizado pela ONG Transparência Internacional informou que o Brasil ocupa a 75ª posição, num ranking de 180 países, sobre percepção de corrupção. O estudo deu ao Brasil nota 3,7, o que indica problemas de corrupção, segundo a entidade. As notas atribuídas pela Transparência vão de 0 (países vistos como muito corruptos) a 10 (considerados pouco corruptos), com base análises de especialistas e líderes empresariais de pelo menos dez instituições internacionais. No ranking geral, a Nova Zelândia (com nota 9,4) é vista como país menos corrupto, e a Somália (nota 1,1) é a nação com maior percepção de corrupção, de acordo com a Transparência.[109] O Brasil piorou no ranking entre 2002 (nota 4,0, em 45º no ranking) e 2009 (nota 3,7, em 75º no ranking).[110]

O Índice de Democracia, elaborado anualmente pela revista inglesa The Economist, colocou o Brasil em 2008 como o 41º país mais democrático do mundo. Embora vá bem em quesitos como processo eleitoral e liberdades civis, a constatação de que há participação popular restrita, assim como uma baixa cultura política fazem com que o Índice de Democracia brasileiro fique em 7,38. Esse resultado coloca o Brasil no trecho do ranking que a Economist convencionou chamar de "democracias falhas", ou seja, que ainda não estão totalmente consolidadas. O índice da Economist varia de 0 a 10 e leva em consideração cinco critérios – processo eleitoral e pluralismo político, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis.[111]

Friday, September 3, 2010

BRASIL : ECONOMIA CRESCE 8,9% NO PRIMEIRO SEMESTRE

Economia cresce 8,9% no primeiro semestre
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres, houve alta de 1,2%AE

No primeiro semestre deste ano, a economia brasileira cresceu 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado e, no acumulado dos 12 meses encerrados em junho, houve alta de 5,1%. Na comparação entre primeiro e segundo trimestres, a alta foi de 1,2%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao mesmo período de 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) do País subiu 8,8% entre abril e junho deste ano. O resultado do PIB representa a produção de bens e serviços em todo o País. Considerando os setores, o PIB da indústria apresentou expansão de 1,9% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior. Na mesma base de comparação, o PIB da agropecuária registrou alta de 2,1%, enquanto o PIB do setor de serviços teve alta de 1,2%. No primeiro trimestre de 2010, a economia havia crescido 2,7% em relação ao trimestre anterior.

Sunday, May 16, 2010

LULA PROS E CONTRAS

Lula: lo bueno, lo malo y lo feo
MOISÉS NAÍM 09/05/2010
La revista Time acaba de incluir a Luiz Inácio Lula da Silva entre las personas más influyentes del planeta. Ciertamente las actuaciones del presidente de Brasil han afectado la vida de millones de personas y, en el caso de sus compatriotas, muy positivamente. Pero Lula no sólo merece aplausos y admiración. También hay aspectos de su conducta que son vergonzosos. Veamos.
"Hay que cambiar la ONU. Si sigue así, no servirá para el gobierno global"
Lula quedará como un buen presidente, pero como un mal vecino para los amantes de la libertad
- Lo bueno. Diez millones de brasileños se incorporaron a la clase media entre 2004 y 2008. La pobreza cayó del 46% de la población en 1990 al 26% en 2008. La desigualdad en la distribución del ingreso ha disminuido. La hiperinflación es una pesadilla que ya nadie recuerda. La deuda externa está en un envidiable 4% del PIB. Las exportaciones se multiplicaron por cinco en sólo veinte años. Y por si fuera poco, en la próxima década Brasil podría llegar a ser una importante potencia petrolera.
Gracias a su éxito y a su tamaño, Brasil es ahora una presencia indispensable en las negociaciones internacionales sobre clima, energía, comercio, finanzas, desarrollo, proliferación nuclear y demás retos que confrontan al mundo. Así, Lula ha hecho obsoleto el mal chiste según el cual Brasil era el país del futuro y seguiría siéndolo para siempre. Brasil ya ha alcanzado mucho de su potencial y no hay duda de que Lula merece un enorme reconocimiento por estos éxitos.
- Lo malo. Lula es poco generoso. Debería compartir el crédito por los logros de su país con Fernando Henrique Cardoso, su predecesor en la presidencia. Lula heredó una economía reformada, políticas sociales de vanguardia y una base muy sólida para continuar profundizando la liberalización y desregulación económica que explican el actual éxito de Brasil. El gran mérito de Lula es haber mantenido, ampliado y defendido estas políticas, que contrastan con las posiciones ideológicas que mantuvo durante años. Lula lideró la oposición a las reformas que hoy le ganan el aplauso del mundo. Mientras en las cumbres revolucionarias con los Chávez, Castros y Ortegas del mundo Lula comparte con entusiasmo las loas al socialismo, en sus decisiones en Brasil éste brilla por su ausencia. Lula ha sido de los presidentes más pro-mercado y pro-sector privado e inversión extranjera que ha tenido Brasil. Él suele decir que sus políticas económicas de mercado sirven para construir las bases para el socialismo. Pocos le creen. Y es fácil suponer que uno de los que no se lo cree es el propio Lula.
Lamentablemente, el presidente brasileño tampoco ha podido impedir que en sus círculos más cercanos florezca la corrupción que invade los gobiernos de América Latina. Decir que esto es lo usual es tan correcto como reconocer que la lucha contra la corrupción nunca ha sido una prioridad para Lula.
- Lo feo. Lula da Silva ha sido muy bueno para los brasileños y muy malo para millones de sus vecinos. Los déspotas que tienen la suerte de ser amigos del presidente brasileño y que están arruinando sus países, mientras Brasil progresa, saben que cuentan tanto con el estridente apoyo como con el silencio cómplice de Lula. Su incondicional respaldo público les aporta una valiosísima legitimidad internacional que les sirve para actuar con aún mayor impunidad dentro de sus países. Sería ingenuo esperar que Lula sea el gendarme de la democracia y los derechos humanos en la región. Pero no debería ser ingenuo esperar que quienes violan reiteradamente los derechos básicos de sus pueblos sepan que no cuentan con el tolerante silencio de Lula y su fraternal abrazo en las cumbres presidenciales. ¿No sería maravilloso que quienes son encarcelados por luchar por la democracia en otros países sepan que Lula es su aliado, y no el de sus carceleros?
La lista de las contradicciones, inconsistencias y ejemplos de la doble moral de Lula es triste y larga. Y no pasa semana sin que crezca. La última adición ha sido la de obligar a que fuese excluido de la cumbre presidencial de la Unión Europea y América Latina el nuevo presidente de Honduras, Porfirio Lobo. Según Brasil, Lobo -quien ganó las elecciones sin las trampas, comunes en la región, de Hugo Chávez y Daniel Ortega- no tiene las suficientes credenciales democráticas para estar en esa reunión. Esto viene del mismo presidente que explicó al mundo que Mahmud Ahmadineyad ganó las elecciones en su país limpiamente y que los miles de iraníes que protestaron en las calles se estaban portando como los díscolos hinchas de un equipo de fútbol después de que su equipo pierde. Al mismo tiempo que Lula decía esto, Ahmadineyad ordenaba la pena de muerte para algunos de los manifestantes. Feo, ¿no?
Por todo esto Lula pasará a la historia como un muy buen presidente para su pueblo y un muy mal vecino para los amantes de la libertad.

Saturday, February 13, 2010

LICENCA PARA O PORTO DO RIO - EIKE BATISTA

Empresa de Eike Batista obtém licença para porto no Rio . Terminal portuário deve movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano
Portal EXAME -
A empresa LLX Logísitica, controlada pelo grupo EBX do empresário Eike Batista, obteve licença ambiental da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro para a construção do Porto Sudeste no município de Itaguai, a 80 da capital fluminense.
O porto deve começar a ser construído no segundo semestre deste ano, com a conclusão prevista para 2011. De acordo com o comunicado divulgado nesta segunda-feira (13/04) pela companhia, o terminal portuário terá capacidade para movimentar até 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
Veja também (LLX anuncia aumento de capital e BNDESPar será sócia
Porto de Eike Batista pode ser financiado pelo BNDES

O porto está sendo desenvolvido para ser um terminal privativo de uso misto com profundidade de 20 metros - o que permite o tráfego de navios bastante carregados. A expectativa é de que o porto movimente a produção da minas da MMX, empresa também controlada pelo grupo EBX, e de outros produtores de minério da região do quadrilátero ferrífero de Mina Gerais.
Para o diretor presidente da LLX, Ricardo Antunes, o projeto será uma excelente alternativa para as empresas mineradores do quadrilátero ferrífero que não possuem ainda uma solução portuária integrada.
A LLX anunciou nas últimas semanas uma série de movimentos que devem ajudar o projeto do porto Sudeste a deslanchar. A empresa primeiro conseguiu uma injeção de capital do BNDESPar.
Depois o BNDES aceitou estudar a liberação de até 75% do total de 1,7 bilhão de reais necessários para a construção do porto. Além disso, a LLX também contratou um assessor financeiro para encontrar um possível comprador para o projeto.

EIKE PRESIDIRA A OGX

Eike Batista passará a presidir a OGX
Ex-presidente da companhia, Rodolfo Landim, recebeu convite para desenvolver novos negócios no Grupo EBX,23,04,2009 .
A OGX, empresa do setor de petróleo e gás natural controlada pelo Grupo EBX, anunciou, nesta quarta-feira (22/4), que o empresário Eike Batista será o novo presidente da companhia no lugar de Rodolfo Landim. De acordo com o comunicado, Landim foi convidado por Eike para ser assistente no desenvolvimento de novos negócios do Grupo EBX, cujo foco são projetos de infraestrutura em geral.
A alteração na composição da diretoria foi aprovada pelo conselho de administração da OGX, instância da qual Landim continuará fazendo parte. O executivo ingressou na EBX em 2006 quando presidiu a MMX, braço no segmento de mineração do grupo. “Rodolfo Landim foi fundamental na organização e êxito que obtivemos até hoje na execução do nosso plano de negócios e na contratação de bens e serviços", comentou Eike.

Outra mudança no quadro executivo da companhia foi a nova função de diretor geral da OGX, que Paulo Mendonça, atual diretor de Exploração e Produção, assumiu. Mendonça será responsável, a partir de agora, também pela coordenação das atividades da diretoria executiva.
O executivo integra a OGX desde sua constituição, em julho de 2007, após ter trabalhado por mais de 34 anos na Petrobras, onde atuou como gerente geral e, posteriormente, gerente executivo de Exploração. “A habilidade de liderança já demonstrada pelo Paulo Mendonça continuará a ser um grande trunfo para a OGX, extremamente útil na execução da nossa campanha exploratória, que é a atividade essencial em nosso futuro próximo”, afirmou Eike.
Às 12h40, os papéis da OGX (OGXP3) estavam em queda de 2,12%, cotados a 829 reais, movimentando 98 negociações.

EIKE BATISTA -PROJETOS DE PETROLEO E INFRAESTRUCTURA

Quero ter um patrimônio de US$ 100 bilhões em dez anos", diz Eike Batista
Em entrevista a talk show dos Estados Unidos, empresário diz que aposta em projetos de petróleo e infraestrutura para se tornar o homem mais rico do mundo.
Pensar pequeno certamente não é um atributo do empresário Eike Batista. De suas primeiras minas de ouro na selva amazônica, nos anos 80 - que o levaram a acumular uma fortuna de 6 milhões de dólares aos 23 anos de idade - à OGX, sua petroleira, o empresário está acostumado a bater metas ambiciosas. Agora, aos 52 anos, ele se prepara para mais um desafio gigantesco: dentro de dez anos, quer ter uma fortuna de 100 bilhões de dólares, o que seria suficiente, hoje, para torná-lo o homem mais rico do mundo. A intenção foi revelada nesta semana, em um programa americano de entrevistas - o Charlie Rose Show, transmitido pela rede PBS.
Veja também (Eike Batista é o homem mais rico do Brasil ) (Eike Batista passa a presidir a OGX Eike perde dinheiro com venda de planta em Corumbá ,Bilionário estuda fabricar carros no Brasil
Em seu programa diário de uma hora, o jornalista Charlie Rose - considerado um dos melhores entrevistadores dos Estados Unidos -, apresentou Eike Batista como o homem mais rico do Brasil. O brasileiro foi sabatinado sobre seus negócios, seus planos, sua história e sobre a sua visão do Brasil e da economia mundial. Em certo momento, Charlie pediu a Eike para estimar quanto poderia ser sua fortuna daqui a dez anos. Sua resposta surpreendeu o entrevistador: "100 bilhões de dólares", afirmou. O apresentador repetiu, perplexo, o número, e Eike emendou: "Sim. O que eu posso dizer? Estou com sorte..."O apresentador lembrou-o de que, se a previsão for cumprida, Eike se tornará o homem mais rico do mundo, "a menos que os outros façam alguma coisa para dobrar suas fortunas". De acordo com a lista dos bilionários publicada anualmente pela revista Forbes, Eike é hoje o 61º homem mais rico do planeta, com uma fortuna de 7,5 bilhões de dólares. A relação é encabeçada, desde 1995, por Bill Gates, o fundador da Microsoft, que acumula um patrimônio de 40 bilhões de dólares. Em segundo lugar, vem o megainvestidor Warren Buffett, com 37 bilhões. Se isto servir de inspiração para Eike, o pódio dos bilionários já conta com um representante latino-americano: o mexicano Carlos Slim - que, no Brasil, controla a Claro e a Embratel -, com 35 bilhões. (Continua),
Aposta no Brasil e na ChinaMais do que uma meta, Eike afirmou que aumentar sua fortuna será "a conseqüência de um bom trabalho", isto é, ajudar o Brasil a crescer e se consolidar como um dos países mais desenvolvidos do mundo. "Eu posso ajudar o Brasil; eu posso ajudar meu país", afirmou. E ajudar, segundo Eike, é apostar nos negócios que vem tocando - sobretudo na área do petróleo, para a qual fundou a OGX, e de infraestrutura.Durante toda a entrevista, o empresário tentou mostrar que o crescimento brasileiro determinaria naturalmente a expansão de sua fortuna, já que seus negócios estão concentrados em áreas estratégicas para o país nos próximos anos. Para Eike, o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo em 2015 - cinco anos antes das estimativas correntes. "Somos apenas um dos muitos grupos que estão ajudando o país a crescer", afirmou.O empresário também mostrou muito otimismo com a expansão das relações comerciais entre o Brasil e a China. Para desconforto de Charlie e dos telespectadores americanos, não hesitou em afirmar que, dentro de 30 anos, os chineses responderão por metade do PIB mundial. Essa expansão deverá alimentar por muito tempo a demanda por matérias-primas e commodities - setores nos quais suas empresas estão instaladas, como a mineradora MMX. "É uma grande joint-venture, porque a China precisa de muita coisa que nós temos", disse. (Continua)
Riscos cobertosCharlie também teve tempo para rememorar alguns dos fracassos na trajetória de Eike - como a tentativa de fabricar jipes, perfumes e cerveja. Para o empresário, entre as lições que tirou desses insucessos, está a de que é necessário ter um modelo de gestão 360 graus, em que todos os aspectos da operação sejam contemplados. Além disso, é preciso não se apaixonar pela empresa - e saber quando é hora de mudar de estratégia ou mesmo de parar.Trabalhar com commodities globais, como ouro e minério de ferro, também ensinou outra coisa ao empresário: como todo empreendimento envolve riscos, é preciso ter certeza de que o retorno compensará toda dificuldade que encontrar - mesmo as que não conseguiu prever.Além de ter o prazer de contar com um compatriota no topo da lista dos mais abonados do mundo, os brasileiros também podem torcer para que Eike alcance seus 100 bilhões de dólares por outro motivo: os investimentos sociais que ele deseja fazer. "Quero ser também o maior filantropo do mundo", afirmou na última parte da entrevista, quando Charlie voltou a tocar no tema de sua fortuna pessoal, e lembrou que os grandes bilionários destinavam parte de sua fortuna para obras de caridade. Diante do espanto do jornalista americano, Eike completou: "Sinto muito. É para isso que eu fui educado".

PAC E INVESTIMENTOS NO BRASIL NAS FERROVIAS

PAC 2 prevê R$ 21 bi para ferrovias.
O orçamento total para ferrovias no PAC 2 não está fechado, mas estima-se o preço médio de US$ 1 milhão por quilômetro
A segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento, com planos de investimento até 2020, prevê a expansão da malha ferroviária dos atuais 29 mil para 40 mil quilômetros. Essa projeção inclui projetos não realizados no primeiro PAC.
O orçamento total para ferrovias no PAC 2 não está fechado, mas estima-se o preço médio de US$ 1 milhão por quilômetro, ou quase R$ 21 bilhões. Estão previstas interligações entre os principais ramais do país e destes com os portos - além de Pecém (CE) e Suape (PE), onde chegará a Nova Transnordestina até 2012, haveria também ligações entre a Norte-Sul e o porto de Barcarena (PA) e da Ferrosul até Rio Grande (RS).