Tuesday, January 25, 2011

CONTROL INTERNACIONAL DE PRECIOS A LAS COMODITIES

Brasil rejeita controle de preço de matérias-primas
Assis Moreira De Genebra
21/01/2011Text Resize
O Brasil quer matar no nascedouro propostas de criação de estoques reguladores internacionais de commodities agrícolas ou de controle de preços. O país já avisou o G-20 que não aceitará limites ou controles. Tampouco apoiará a criação dos estoques regionais de alimentos, tema que a França planeja colocar no centro da agenda do grupo, junto com a questão cambial. Para os franceses, a alta dos alimentos, que causou revoltas há dois anos e agora ajudou a derrubar o ditador da Tunísia, exige estrita regulação dos mercados de commodities.
O Brasil sinalizou que concorda com a discussão, por exemplo, para evitar que especuladores adquiram posição dominante no mercado. Mas excluiu a possibilidade de controle de cotações. "Quando os preços estão baixos, ninguém fala disso", disse uma fonte brasileira.
No caso dos estoques regionais, que seriam controlados pela FAO, o Brasil vê problemas de concessão de subsídios em sua formação. "Achamos que o G-20 deva apenas fazer um diagnóstico da situação", afirmou o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey. A delegação brasileira deixou clara a posição na reunião de vice-ministros de Finanças do G-20 sob a presidência francesa, em Paris.
Hoje haverá outra reunião de altos funcionários do grupo, desta vez em Berlim, onde a posição brasileira sobre estoques deverá estar em consonância com a dos Estados Unidos. Ambos acham que cada país deve cuidar de seu próprio estoque alimentar e não criar uma Conab internacional.
A França quer organizar um encontro de ministros de Agricultura do G-20 nos dias 22 e 23 de junho, em Paris, para discutir segurança alimentar. Mas pensa em chamar também os ministros de Finanças, já que a alta de preços tem impacto na inflação de vários países.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, faz pressão na União Europeia para Bruxelas criar um mecanismo europeu de controle de preços. Os franceses também tentarão impor alguma regulação no G-20, para evitar que especuladores causem mais turbulências nos mercados.
O fluxo líquido de investimentos financeiros em índices de matérias-primas alcançou US$ 60 bilhões em 2010. O total sob gestão chegou a US$ 360 bilhões, em comparação com US$ 10 bilhões há dez anos. Essas cifras dão uma ideia do peso dos investidores no mercado e sua capacidade de influenciar os preços.
No entanto, estudo da OCDE, revelado pelo Valor, mostrou que a volatilidade dos preços das matérias-primas não é muito diferente da registrada nos últimos 50 anos para vários produtos.

BNDES - INVERSIONES DE 2011

BNDES reduz repasse para grandes empresas
Vera Saavedra Durão Do Rio
25/01/2011Text Resize
..O orçamento só será fechado em fevereiro, mas no BNDES a expectativa para este ano é de redução do volume de desembolsos para R$ 140 bilhões, menos do que o valor recorde de R$ 168,4 bilhões de 2010. Apenas na operação de capitalização da Petrobras, o banco participou com R$ 24,7 bilhões. Descontado esse valor, as liberações fecharam o ano em R$ 143,7 bilhões, com alta de 5% ante os R$ 137, 4 bilhões liberados em 2009. Em 2010, a parcela dos desembolsos destinados às grandes empresas diminuiu quase 10 pontos percentuais em relação a 2009, quando essas companhias absorveram 82,5% do total liberado pela instituição. Na outra ponta, o peso das micro e pequenas empresas passou de 8,5% para 14% do total.
A maior parcela dos recursos para os próximos 12 meses deverá vir do retorno de empréstimos, que podem alcançar valores expressivos, na faixa de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões devido ao pagamento dos financiamentos de capital de giro feito pelo banco para empresas durante a crise econômica iniciada no fim de 2008.
Não está descartada a entrada de recursos do Tesouro no caixa da instituição de fomento este ano, mas ainda não há uma definição. Se ocorrer essa transferência, ela será bem menor que no ano passado. Em 2011, por exemplo, não há perspectiva de operação tão expressivas e concentradas na Petrobras - como os R$ 25 bilhões liberados tanto em 2009 como em 2010. O BNDES não vai deixar de apoiar a Petrobras, mas não devem se repetir operações da magnitude das passadas.
Outra medida anticíclica adotada durante a crise, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com taxas fixas de financiamento para bens de capital (5,5%), abaixo da TJLP de 6% ao ano e bem inferior as taxas do mercado, criado para financiar bens de capital, está programado para terminar em março. Mas poderá ser prorrogado, caso o governo assim o decidir, porém, com custo fiscal residual para o Tesouro. A carteira de pedidos de empréstimos do PSI fechou 2010 em R$ 120 bilhões e as liberações no período chegaram a R$ 87 bilhões.
Os números do desempenho do banco divulgados ontem informam que o total de projetos de investimentos aprovados fechou 2010 em R$ 200,7 bilhões, sinalizando que a demanda por recursos da instituição continua superaquecida. As consultas alcançaram R$ 255,9 bilhões, com alta de 14% ante 2009. Esses indicadores são determinantes do comportamento futuro dos desembolsos do banco.
A ideia para reforçar o caixa do BNDES em 2011 e garantir uma oferta de crédito firme não vai se limitar ao retorno dos empréstimos. A instituição de fomento tem planos de fazer lançamentos mais fortes de debêntures de sua titularidade no mercado doméstico para prover mais recursos, principalmente à BNDESPar, para operar no mercado de capitais, adquirindo participações acionárias em empresas e em operações de abertura de capital (IPOs).
No mercado internacional, a intenção do BNDES é fazer inicialmente uma captação via lançamento de bônus, na faixa tradicional de US$ 1 bilhão, para avaliar a precificação de seus papéis lá fora. A área internacional do banco, que tem um escritório em Londres, está se preparando para crescer, mas ainda costura um projeto estratégico de maior alcance.
A infraestrutura vai continuar sendo prioridade do BNDES, incluindo obras do PAC e da Copa de 2014. O desenvolvimento regional e a inovação também serão focos de 2011. No âmbito das micro e pequenas empresas, a meta é continuar ampliando o alcance do Cartão BNDES. No momento, atuam nas operações indiretas do cartão os bancos Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e alguns bancos menores. O Itaú está em fase de teste para operar o cartão, cujas operações já estão alcançando cerca de R$ 500 milhões mensais. No ano passado, o Cartão BNDES foi um dos maiores destaques na área de operações indiretas, com 320 mil operações, 84% a mais que em 2009, tendo desembolsado R$ 4,3 bilhões, ou 74% acima do liberado em 2009, segundo os dados do banco.
Apesar dos grandes grupos permanecerem à frente no desembolso por apresentarem os maiores projetos, as liberações para pequenas e médias empresas via operações com agentes financeiros vem avançando. Em 2010, os empréstimos para micro, pequenas e médias somaram US$ 45,7 bilhões, quase dobraram de tamanho ante o ano anterior, em boa parte devido ao PSI. O BNDES vai estimular mais a participação dos bancos privados nessas operações de crédito, na quais eles respondem pelo risco do negócio. Os agentes financeiros repassam hoje cerca de 70% dos empréstimos de médio e longo prazo da instituição.

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GASTOS NA COPA 2014 Y OLIMPIADA DE 2016

Olhos de lince nos custos de 2014 e 2016
Antonio Delfim Netto , 25/01/2011
Seguramente, a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 serão eventos marcantes do próximo septênio. Haverá necessidade de imensos investimentos, que competirão com recursos públicos escassos, que teriam usos alternativos e retornos muito altos calculados objetivamente, como são, por exemplo, os projetos de portos e ferrovias, de rodovias, de aeroportos, das usinas de energia elétrica, de saneamento, de controle das catástrofes climáticas etc.
Eles geram emprego não apenas na sua construção: aumentam, depois de prontos, a produtividade de todo o sistema econômico, acelerando o desenvolvimento e beneficiando toda a sociedade.
Por outro lado, as taxas de retorno dos investimentos da Copa-2014 e da Olimpíada-2016 são difíceis de estimar objetivamente. Depois dos empregos gerados durante a sua realização, a utilização - a não ser quando cuidadosamente pensada para seu uso não festivo - terá efeito relativamente pequeno sobre o desenvolvimento e o emprego. Parte dos seus benefícios refere-se a fenômenos subjetivos, como a "melhoria da imagem" do país.
O Brasil teve uma experiência recente. A desastrosa herança dos Jogos Pan-Americanos foi a negação mais absoluta do uso correto dos recursos públicos extraídos de todos os brasileiros. Houve talvez alguma vantagem "esportiva". Nada indica, entretanto, que ela não poderia ter sido alcançada sem o desastre financeiro, sem os trágicos indícios de superfaturamento e sem o triste legado dos "elefantes brancos", que nem a mais furiosa imaginação dos administradores públicos consegue aproveitar.
É difícil estimar a taxa de retorno dos investimentos
Nada mais importante para o governo, portanto, do que atentar para a honestidade e franqueza do conselho do presidente da Comissão Olímpica Internacional (COI), Jacques Rogge, na sua visita ao Brasil. Ele chamou a atenção para a necessidade de realismo na dimensão das estruturas construídas para tais eventos: evitar a megalomania, atentar para o controle rigoroso da execução dos orçamentos e pensar - com antecipação e máximo cuidado - qual o uso que lhes será dado posteriormente em benefício do desenvolvimento social e econômico. Em uma palavra, tirar o maior efeito "imagem" possível de tais eventos, mas não deixar como herança "elefantes brancos".
É um fato conhecido que os economistas (porque são treinados em pensar no melhor uso alternativo para os sempre escassos recursos de que se dispõe) não têm muita simpatia com eventos "pirotécnicos" para a compra da "imagem" dos países. E têm alguma razão. Fala-se que apenas na cerimônia de instalação da Olimpíada de Pequim foram gastos (em fogos e outras piruetas) mais de US$ 100 milhões, enquanto 100 milhões de chineses ainda viviam com menos de um US$ 1 por dia.
No Rio de Janeiro (Rose, A.K e Spiegel, M.M., "The Olympic Trade Effect, Finance & Development"), estima-se que (sem superfaturamento!) serão gastos US$ 15 bilhões. Mais ou menos US$ 80 de impostos para cada brasileiro, inclusive os que estão sofrendo a tragédia da região serrana...
Há, obviamente, alguns efeitos positivos desses projetos: a melhoria da infraestrutura que desafoga o transporte urbano, os gastos dos turistas que, em geral, permanecem depois dos jogos, uma publicidade internacional capaz de atrair mais turistas e, eventualmente, alguns investidores, um melhor conhecimento universal da geografia, da história e da cultura do país, um aumento da auto-estima nacional, um aumento da solidariedade da comunidade etc. O problema é evitar o que até aqui a experiência mundial mostra que é difícil: libertar-se da herança de elefantes brancos!
De 1976 a 2016, foram ou serão realizadas 22 Olimpíadas (11 de verão e 11 de inverno). A primeira, realizada em Montreal, no Canadá, orçada em US$ 124 milhões, deixou uma dívida de US$ 2,8 bilhões (mais ou menos US$ 10 bilhões de hoje) e levou 30 anos para ser paga! A única que produziu um quase equilíbrio foi a de Los Angeles (1984), aceita pela COI porque a tragédia de Montreal assustara outros candidatos e ela pode impor suas próprias condições. Além do mais, houve colaboração do setor privado.
A verdade é que os gastos de nenhuma Olimpíada ficaram dentro do orçamento. A de Atenas, Grécia (2004), foi estimada em US$ 1,6 bilhão e terminou em US$ 16 bilhões! Segundo as más línguas, foi uma das razões da desintegração das finanças do país! A última, a de Pequim (2008) começou com um projeto de US$ 1,6 bilhão e terminou, gloriosamente, com um gasto de US$ 40 bilhões, incluindo (como em todos os outros casos), os custos da infraestrutura.
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

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DEUDA EXTERNA DE BRASIL AL CIERRE DE 2010

Dívida externa estimada para dezembro sobe a US$ 255,6 bilhões
Azelma Rodrigues Valor
25/01/2011 10:56Text Resize
BRASÍLIA - A dívida externa brasileira estimada para dezembro de 2010 aumentou para US$ 255,664 bilhões, superior à posição registrada no último mês de 2009, de US$ 198,192 bilhões e àquela fechada em setembro de 2010 (US$ 247,812 bilhões). Os números são do Banco Central (BC).
A dívida de médio e longo prazos projetada para dezembro do ano passado subiu para US$ 198,734 bilhões, ante os US$ 189,420 bilhões de setembro fechado. A dívida de curto prazo recuou para US$ 56,930 bilhões, em relação aos US$ 58,392 bilhões apurados em setembro de 2010.
Os empréstimos intercompanhias das multinacionais a suas subsidiárias no país se situaram em US$ 94,733 bilhões. Somando-se esses empréstimos, desconsiderados da dívida externa líquida, a dívida bruta foi projetada em US$ 350,436 bilhões para dezembro de 2010, ante a posição de US$ 333,199 bilhões do nono mês do mesmo calendário.
(Azelma Rodrigues Valor)

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Saturday, January 1, 2011

BRASIL - CEU DE BRIGADEIRO

CÉU DE BRIGADEIRO
O Brasil saiu da turbulência econômica
mais forte do que entrou
Foram poucas as vezes em sua curta e conturbada história em que o Brasil vivenciou mudanças tão amplas e profundas quanto as da última década. Em seu mais longo período democrático, o País acompanhou o lento e gradual processo de inserção social de ampla parcela de sua população, que sempre viveu à margem de um Estado rico, porém historicamente desigual. Em apenas oito anos, mais de 25 milhões de brasileiros cruzaram a linha da pobreza e outros 30 milhões ascenderam à classe média. O desemprego, que sempre esteve entre as maiores preocupações do País, encerra 2010 com o menor índice de sua série histórica, chegando a impressionantes 5,7%. Tudo isso aliado a um aumento real da renda que hoje faz a classe C ser a maior consumidora de eletroeletrônicos do País e a maior compradora de imóveis. Números como esse chamam a atenção não só por sua dimensão, mas principalmente por mostrar a transformação econômica e social pela qual este país passou ao longo de dez anos. “O grande mérito do governo Lula foi ter baixado a taxa de juros. No começo dele, a taxa real estava em 10%, hoje está em 5%”, diz o economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira.

A redução dos juros foi, de fato, fundamental para o processo de transformação que o Brasil vem experimentando ao longo dessa década. Mas ela ocorreu em paralelo com uma mudança profunda na maneira de pensar o Estado. Pela primeira vez em décadas, a União passou a ter um papel de indutora da economia brasileira. A avidez em cortar custos, realizar superávits, enfim, tratar a máquina estatal como uma empresa privada, deu lugar à ideia de que cabe ao Estado estimular setores que não têm forças para crescer sozinhos e, também, oferecer segurança social e alimentar uma parcela da população que não tem condições para fazê-lo de forma própria. O grande exemplo disso, por certo, foram as medidas anticíclicas adotadas durante a maior crise financeira global desde a hoje mítica quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. “Lula mudou o papel do Estado no País. Em vez de manter o papel pró-mercado, usou a força estatal para alavancar o investimento”, diz o economista Francisco Lopreato, da Unicamp.
Com essa mudança de perspectiva, o Brasil viu, aos poucos, a tradicional fragilidade diante das crises externas transformar-se em um dos exemplos mundiais de como combater o sempre presente fantasma da recessão em épocas de tempestades econômicas. E, pela primeira vez, a população assistiu, com um misto de desconfiança e ufanismo contido, ao Brasil fazer parte do seleto grupo das nações mais poderosas do planeta. “O governo Lula atacou a crise de forma muito ativa e entramos em 2010 com uma expansão do crédito e uma situação de crescimento expressiva. A discussão agora é como manter essa trajetória”, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban, a federação nacional dos bancos brasileiros. Só este ano, enquanto boa parte do mundo desenvolvido patina para crescer, o Brasil vai ver seu Produto Interno Bruto se expandir em mais de 7%. “É uma mudança de paradigma. Enquanto os europeus fazem cortes, e quanto mais cortam menos crescem, nós estamos discutindo se vamos crescer 7% ou 8%”, diz Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

OS TIGRES DO NORDESTE

Os tigres do Nordeste
Com o aumento da renda da população, a região supera as taxas de crescimento do restante do País e passa a atrair investimentos de grandes empresas
Bruna Cavalcanti
DESENVOLVIMENTO
Em Suape, principal complexo industrial do Nordeste, as
empresas movimentam bilhões por ano
Projeções recentes indicam que a economia brasileira vai crescer 7,5% em 2010. É um resultado espantoso, comparável à evolução do PIB chinês. Mas existe uma região do Brasil que acelera ainda mais. Depois de décadas de paralisia, que os tornaram incapazes de acompanhar a expansão do restante do País, os Estados do Nordeste passam por um período de fartura sem precedentes. Segundo o IBGE, os três líderes de crescimento no terceiro trimestre de 2010 foram Ceará (alta de 8,4% do PIB), Pernambuco (8,4%) e Bahia (6,4%). A performance é resultado principalmente do aumento da renda da população local, favorecida pelos recursos que vieram dos programas sociais, pela maior oferta de emprego e pela inédita disposição das empresas de investir na região. Essa transformação ficará como uma das maiores do governo Lula. Para citar apenas um exemplo do que representa o incentivo oficial, a Bahia foi o terceiro Estado brasileiro que mais recebeu recursos da União, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro e à frente de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. A avalanche de investimentos previstos para os próximos anos no Nordeste e também no Norte do Brasil (leia quadro) faz supor que a bonança vai durar muito tempo.
Um dos principais catalisadores de recursos destinados ao Nordeste é o Porto de Suape, complexo industrial localizado a 40 quilômetros do centro do Recife, em Pernambuco. Apenas o Estaleiro Atlântico Sul, empresa que pertence ao grupo Camargo Corrêa, desembolsou R$ 1,8 bilhão para produzir embarcações no local. Suape é tão abrangente que acabou por gerar uma onda de investimentos em diversos setores. Na área rodoviária, um consórcio liderado pela Odebrecht desembolsou R$ 75,6 milhões para construir a Via Parque, rota com sete quilômetros de extensão e um pedágio (é o primeiro em operação no Estado) que facilitou o acesso ao porto. O projeto atraiu profissionais como o gerente de operações Ivan Moraes, 52 anos, que trocou Vitória, no Espírito Santo, por Recife. “Há muitas pessoas que estão vindo de outros Estados para cá”, diz Moraes. “Como o crescimento tem sido muito rápido, falta mão de obra qualificada.”
CRESCIMENTO
Ivan Moraes (abaixo), da Odebrecht, e Luiz Dutra (acima),
da Unilever: grandes projetos estimulam o desenvolvimento da região
Suape: R$ 1,8 bilhão
Não são apenas os grandes projetos de infraestrutura que estimulam o boom econômico da região. Empresas de consumo fizeram do Nordeste parte importante de sua estratégia de negócios. A Unilever, dona de marcas como Kibon, Omo e Rexona, investiu recentemente R$ 85 milhões na ampliação de sua fábrica em Igarassu, em Pernambuco. Segundo Luiz Carlos Dutra, o consumo do Nordeste está passando por uma segunda fase de expansão. Antes, diz ele, os nordestinos estavam preocupados essencialmente com o preço dos produtos. Agora, com o aumento da renda, existe a busca também por qualidade. O Nordeste também funciona como uma espécie de laboratório para o lançamento de artigos. Introduzido primeiro na região, um novo desodorante fez tanto sucesso que acabou sendo levado para outras praças. “Esse produto virou um acontecimento nacional”, afirma Dutra. A PepsiCo, segunda maior fabricante de refrigerantes do mundo, já obtém 20% de suas receitas no Brasil do Norte e Nordeste. Até pouco tempo atrás, esse percentual não passava de um dígito. Em fevereiro de 2010, a empresa criou a Unidade de Negócio Neno (Norte e Nordeste), focada exclusivamente em projetos para as duas regiões. Uma nova fábrica, que será inaugurada em 2011, na cidade de Feira de Santana, na Bahia, receberá investimentos de R$ 40 milhões. “O crescimento de consumo no Norte e Nordeste, se comparado ao Sudeste, chega a ser quase três vezes maior”, diz Alexandre Wolff, diretor da unidade Neno. “O desenvolvimento nessas regiões veio para ficar.”